Home / Política / Projeto de deputada do PT exige “notas da comunidade” em todas as redes sociais

Projeto de deputada do PT exige “notas da comunidade” em todas as redes sociais

ocrente 1777744156
Spread the love

Brasília — A deputada federal Camila Jara (PT-MS) apresentou, na terça-feira 28 de abril, um projeto de lei que obriga plataformas de mídia social a disponibilizar um “mecanismo de verificação colaborativa de fatos”, inspirado nas “notas da comunidade” já usadas na rede X (antigo Twitter).

Pelo texto, redes que não implementarem o recurso estarão sujeitas a multa, ainda não especificada. Além disso, publicações que receberem as anotações não poderão ser impulsionadas — prática de promoção paga de conteúdo.

Como funcionaria o sistema

O projeto determina que usuários possam apontar postagens potencialmente enganosas e elaborar notas explicativas. Essas observações só aparecerão ao público depois de consideradas “úteis” por um número suficiente de avaliadores com perspectivas diversas — procedimento semelhante ao adotado pela plataforma de Elon Musk.

Estudo citado na justificativa

Na justificativa, Jara menciona a pesquisa “Community Notes increase trust in fact-checking on social media”, de Chiara Patricia Drolsbach, Kirill Solovev e Nicolas Pröllochs. O estudo expôs 1.810 norte-americanos — divididos entre apoiadores de Donald Trump e Joe Biden — a 36 publicações classificadas como verdadeiras ou enganosas. Entre quatro formatos avaliados, as “notas da comunidade” geraram o maior nível de confiança dos participantes.

A parlamentar afirma que, ao tornar o processo colaborativo, os próprios usuários ajudam a “identificar publicações potencialmente enganosas e elaborar anotações textuais que forneçam contexto informativo sobre o conteúdo”.

Desinformação e contexto eleitoral

Camila Jara cita a pandemia de Covid-19 como exemplo de como a disseminação de boatos sobre vacinas afetou a confiança em políticas de saúde pública. A proposta chega a cinco meses das eleições municipais de 2026, período em que também se discute o uso de inteligência artificial nas campanhas.

Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos estão proibidos de divulgar conteúdos artificiais entre 72 horas antes e 24 horas após o pleito. Fora desse intervalo, imagens ou vídeos gerados por IA devem ser identificados.

Com informações de Gazeta do Povo