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Pesquisador copta recorre de pena de 5 anos por vídeos cristãos no YouTube

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O pesquisador e criador de conteúdo Augustinos Samaan, 37 anos, apresentou recurso contra a sentença que o condenou a cinco anos de prisão com trabalhos forçados por publicar vídeos sobre o cristianismo em seu canal do YouTube, que soma mais de 100 mil inscritos.

De acordo com a ADF International, entidade que o representa, o pedido de anulação da condenação foi protocolado na semana passada. Samaan havia sido sentenciado em janeiro pelo Tribunal de Delitos Menores de El Basatin, no processo nº 21896/2025.

Prisão e mudança de acusações

Agentes mascarados das forças especiais prenderam o pesquisador na madrugada de 1º de outubro de 2025. No momento da detenção foram apreendidos laptop, telefone, livros e documentos pessoais, segundo a organização Coptic Solidarity.

Inicialmente, o egípcio foi enquadrado em crimes de terrorismo. Posteriormente, o Ministério Público alterou a acusação para desacato à religião, com base no Artigo 98(f) do Código Penal — dispositivo usado para punir blasfêmia — e uso indevido de mídias sociais.

Julgamento sem aviso à família

O caso foi ouvido em 27 de dezembro de 2025, adiado e decidido em 3 de janeiro. Familiares e advogados compareceram ao tribunal em 6 de janeiro esperando a renovação da prisão preventiva, mas descobriram que o veredicto já havia sido proferido sem notificação prévia.

Entidades de direitos humanos afirmam que Samaan sofreu tortura durante as investigações de Segurança Nacional e apontam violações ao Artigo 96 da Constituição egípcia, que garante presunção de inocência, direito de defesa e julgamento justo, além de dispositivos do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

Contexto de repressão online

O caso de Augustinos Samaan faz parte de uma série de prisões iniciadas em agosto de 2025, quando autoridades passaram a deter usuários por publicações religiosas na internet. Entre eles estão jovens, convertidos e participantes de debates teológicos.

Em processo semelhante, o cristão Abdulbaqi Saaed Abdo, pai de cinco filhos, foi acusado de blasfêmia após compartilhar sua fé em um grupo privado no Facebook. Com assistência jurídica, ele foi libertado e transferido para outro país.

A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional incluiu Samaan em sua lista de presos por motivos de fé e acompanha a evolução do caso.

Os cristãos representam entre 10% e 15% da população egípcia. Embora a Constituição do Egito preveja liberdade religiosa, o Artigo 98(f) continua sendo aplicado a discursos considerados ofensivos ao islã.

Com informações de Folha Gospel