O governo federal empenhou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares nos últimos dias de abril de 2026 para tentar assegurar votos favoráveis a Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Disparo no volume de empenhos
Em questão de dias, a reserva de recursos no Orçamento saltou de menos de 2% para mais de 50% do montante autorizado para o período. Na prática, o dinheiro funciona como contrapartida destinada a reduzir resistências entre senadores, responsáveis por sabatinar o advogado-geral da União e aprovar sua indicação.
Força das “emendas Pix” em ano eleitoral
Grande parte dos valores empenhados segue o modelo das chamadas “emendas Pix” — transferências diretas da União para estados e municípios sem necessidade de projeto detalhado imediato. Em 2026, ano eleitoral, esses repasses ganham peso porque chegam rapidamente às bases dos parlamentares, impulsionando obras e serviços que rendem visibilidade política a prefeitos, governadores e aos próprios congressistas.
Negociação mais difícil no Congresso
Analistas apontam que o Palácio do Planalto perdeu margem de manobra vista em governos anteriores. As emendas impositivas — que obrigam o Executivo a pagar os recursos — reduziram o poder de barganha presidencial. Além disso, a base governista é minoritária na Câmara e depende de acordos pontuais e onerosos no Senado para avançar com pautas de interesse.
Resistências ao nome de Messias
Jorge Messias enfrenta desconfiança da oposição por atuar alinhado ao governo. Parte da cúpula do Senado também preferia a indicação do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco. Para chegar ao STF, o indicado precisa obter ao menos 14 votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, 41 votos no plenário.
Prática recorrente, mas custo político maior
A liberação de recursos para garantir indicações ao Supremo não é novidade. Nos casos de Cristiano Zanin, Flávio Dino e André Mendonça, também houve distribuição de verbas ou cargos. A diferença, segundo especialistas, está no “custo” mais alto imposto pela fragmentação do Congresso e pelas novas regras orçamentárias que ampliam o poder dos parlamentares.
O Planalto segue articulando para que a sabatina de Jorge Messias na CCJ ocorra ainda no primeiro semestre, apostando no pacote bilionário de emendas como principal trunfo para conquistar os votos necessários.
Com informações de Gazeta do Povo