Os juros altos impostos pelo Banco Central estão neutralizando o aumento real de 14% na renda média das famílias desde o fim de 2022. No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 40% dos novos rendimentos são direcionados ao pagamento de dívidas antes mesmo de se converterem em consumo.
Endividamento atinge maior patamar desde 2005
Dados do Banco Central mostram que os encargos financeiros representam hoje 10,5% da renda disponível anual, o maior índice registrado pela autoridade monetária desde 2005. Em dezembro de 2022, a fatia era de 9,3%.
Gasto público pressiona a Selic
O avanço das despesas federais gera déficit nas contas públicas, pressionando a inflação. Para conter os preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 14,75% ao ano, o que encarece empréstimos, financiamentos e o crédito no cartão.
Comportamento de consumo se altera
Diante do orçamento apertado, o consumidor brasileiro fraciona compras, substitui marcas tradicionais por opções mais baratas e reduz saídas para refeições fora de casa — recuo de 15% nas grandes cidades. Gastos com lazer e bens duráveis, como eletrodomésticos e veículos, também caem, enquanto alimentação e farmácia ganham prioridade.
Baixa renda recorre ao crédito mais caro
Famílias com até dois salários mínimos concentram 40% de suas dívidas nas modalidades de maior custo: rotativo do cartão de crédito, com juros anuais de 435,9%, e cheque especial. Sem acesso a linhas mais baratas e de longo prazo, esses grupos ficam expostos ao risco de inadimplência.
Aposta online amplia a dívida
O crescimento das plataformas de apostas esportivas, as chamadas “bets”, tornou-se nova fonte de desequilíbrio financeiro. Estudo aponta que cada aumento de 1% no volume de apostas eleva o endividamento em 0,23%. Em 2025, esses sites já figuravam como o segundo destino mais visitado da internet no país, absorvendo parte do salário e até limites de cartão de crédito dos usuários.
A combinação de expansão fiscal, juros elevados e endividamento recorde tem comprimido o orçamento das famílias e limitado o efeito prático dos reajustes salariais.
Com informações de Gazeta do Povo