Brasília, 22 abr. 2026 – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (22) a prorrogação por mais 60 dias do inquérito que investiga o influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, por suposta desobediência a decisão judicial.
A medida atende a solicitação da Polícia Federal (PF), que pediu prazo adicional para concluir a análise do material reunido. Segundo a corporação, o volume inesperado de dados digitais vem retardando a elaboração do relatório final.
O inquérito foi instaurado após os atos de 8 de janeiro de 2023 e tem como foco perfis que teriam incentivado ou divulgado as ações criminosas investigadas. Em manifestação, a PF apontou que o sistema eletrônico do STF é eficiente para textos, mas apresenta limitações no envio de provas digitais brutas fora do formato PDF, obrigando coletas manuais e individuais dos arquivos – um “gargalo logístico”, conforme a polícia.
Em 2023, Moraes determinou o bloqueio de contas de Monark em redes como Twitter, Instagram, Rumble e YouTube, ao entender que o influenciador continuava a publicar conteúdos já vetados pela Justiça. O ministro afirmou, na ocasião, que a criação de novos perfis para veicular esse material poderia configurar crime de desobediência previsto no artigo 359 do Código Penal.
Monark prestou depoimento no ano passado e declarou que não cumpriria as ordens judiciais mesmo que tivesse sido formalmente intimado, por considerá-las inconstitucionais.
Ao reiterar a decisão de hoje, Moraes voltou a destacar que a liberdade de expressão não serve de “escudo protetivo” para discursos de ódio, manifestações antidemocráticas, ameaças ou outras práticas ilícitas.
Com a nova prorrogação, o processo retorna à PF para conclusão das diligências pendentes antes do envio do relatório final ao STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi notificada sobre a continuidade das investigações.
Com informações de Gazeta do Povo