O Palácio do Planalto intensificou, nesta semana, discursos voltados a eleitores evangélicos e conservadores, a pouco mais de dois anos das eleições presidenciais de 2026. Duas frentes foram escolhidas para a ofensiva: o endurecimento contra as plataformas de apostas esportivas e o envio de um projeto de lei para extinguir a jornada de trabalho conhecida como 6 x 1 (seis dias de labor para um de descanso).
Apostas na mira
Em entrevista concedida na terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as chamadas “bets” como responsáveis por parte do endividamento das famílias brasileiras. “E agora tem as bets para assaltar o povo. Nós brigamos a vida inteira contra cassino; eu, pelo menos, como cristão. Agora o cassino está dentro da sua casa”, afirmou. Na mesma fala, o petista disse estudar o fechamento dessas plataformas: “Se fazem tão mal, por que a gente não acaba? Estamos tentando discutir isso”.
Lula também declarou ter “compromisso moral, ético e até cristão de não permitir que os fascistas voltem a governar”, em resposta a especulações sobre sua eventual candidatura à reeleição. Em 2022, o presidente hesitou em misturar religião e política, divulgando carta dirigida a evangélicos apenas após pressão de aliados.
Proposta para a jornada 6 x 1
Um dia depois, na quarta-feira (15), o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, anunciou o envio ao Congresso de um projeto de lei em regime de urgência para pôr fim à escala 6 x 1. Segundo ele, a medida “defende a família trabalhadora”, pois permite que empregados passem mais tempo com parentes e tenham disponibilidade para atividades religiosas. “Ela [a trabalhadora] não tem descanso, não tem tempo de lazer, não tem tempo de ir para a igreja, não tem tempo de assistir a um jogo de futebol”, argumentou.
Peso do eleitor evangélico
Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou que o deputado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) detém o dobro da intenção de voto entre evangélicos em relação a Lula. No cenário geral de segundo turno, porém, há empate técnico: 46% para Bolsonaro e 45% para o petista, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
As recentes declarações sobre apostas e jornada de trabalho foram discutidas previamente em reuniões internas do governo, segundo interlocutores, e fazem parte da tentativa de reduzir a distância entre o presidente e o eleitorado evangélico, considerado decisivo para 2026.
Com informações de Folha Gospel