Elon Musk, proprietário da rede social X e executivo-chefe da Tesla e da SpaceX, foi chamado a comparecer nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, ao Ministério Público de Paris. A oitiva integra um inquérito iniciado em janeiro de 2025 que apura suspeitas de má gestão da plataforma, divulgação de conteúdos ilícitos e funcionamento de seus algoritmos.
O comparecimento, classificado pelos promotores como “entrevista voluntária”, também foi solicitado à ex-diretora-executiva Linda Yaccarino. Funcionários da empresa deverão prestar depoimento ao longo da semana.
Origem das denúncias
O caso teve início após parlamentares e organizações francesas de defesa do consumidor acusarem a rede social de extrair dados de usuários de forma indevida. Diante das denúncias, os investigadores passaram a examinar:
- Possível cumplicidade na circulação de material de abuso sexual infantil;
- Eventual uso do chatbot Grok na criação de deepfakes de teor sexual e na propagação de informações contestadas;
- Se o sistema de recomendação da plataforma teria favorecido determinados conteúdos ou interferido em processos políticos locais.
Buscas e apreensões
Em fevereiro, a unidade de crimes cibernéticos da promotoria realizou buscas na sede do X em Paris em busca de documentos e registros eletrônicos relacionados às suspeitas.
Dificuldades de cooperação
Não há confirmação de que Musk, que mora fora da França, atenderá ao pedido. Nesta fase, a legislação francesa não obriga cidadãos estrangeiros residentes no exterior a comparecer. Segundo o jornal The Wall Street Journal, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos teria sinalizado que não colaborará com a investigação, alegando motivações políticas — informação que a promotoria parisiense afirma não ter recebido oficialmente.
Posicionamento do empresário
Musk nega irregularidades e já classificou a iniciativa das autoridades francesas como “abusiva”, apontando um suposto ataque à liberdade de expressão com viés político.
Próximos passos
Concluídas as oitivas, os magistrados decidirão se convertem o inquérito em investigação formal contra os gestores da rede social ou se arquivam o caso.
Com informações de Gazeta do Povo