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Espanha sela 19 acordos em Pequim e busca ser ponte entre União Europeia e China

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Pequim, 17 abr. 2026 – O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, assinou 19 acordos comerciais com autoridades chinesas durante visita oficial à capital chinesa. A iniciativa reforça a estratégia de Madri de atuar como elo entre a União Europeia e a China, ao mesmo tempo em que marca novo distanciamento dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

Multipolaridade como diretriz

Sánchez apresentou-se a Pequim como interlocutor privilegiado do bloco europeu. Em reuniões com o presidente Xi Jinping, o líder socialista defendeu um relacionamento “baseado na estabilidade e no diálogo”, argumentando que o cenário internacional caminha para um mundo multipolar em que o poder deixa de estar concentrado apenas no Ocidente.

Relações tensas com Washington

A viagem ocorre em meio ao desgaste nas relações com os EUA. A Espanha foi o único país da Otan a votar contra o aumento dos gastos militares solicitado por Trump e também recusou ceder bases para eventuais ações contra o Irã. Em resposta, o presidente norte-americano classificou o país de “perdedor” e ameaçou impor barreiras comerciais, empurrando Madri a intensificar laços econômicos com Pequim.

China já é maior parceiro fora da Europa

O intercâmbio comercial entre Espanha e China ultrapassou US$ 55 bilhões em 2025, tornando-se o principal fluxo externo ao mercado europeu para os espanhóis. Companhias chinesas ampliam investimentos em infraestrutura e energia renovável no território espanhol, ação considerada pelo governo essencial para modernizar o parque industrial e gerar empregos.

Resistência dentro da União Europeia

Apesar do entusiasmo espanhol, Bruxelas mantém cautela. A Comissão Europeia classifica Pequim como “rival sistêmico” e manifesta preocupação com o déficit comercial crescente, além de possíveis riscos de espionagem em redes 5G e 6G.

Apoio de aliados latino-americanos

Sánchez articula-se com líderes de esquerda da América Latina, entre eles o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Juntos, defendem uma política externa menos dependente de Washington e focada no pragmatismo econômico.

A visita a Pequim encerrou-se na noite desta sexta-feira (17) e incluiu compromissos no Palácio do Povo e em zonas industriais que deverão receber investimentos conjuntos.

Com informações de Gazeta do Povo