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Silêncio de Pyongyang sobre conflito Irã-Israel visa reaproximação com Trump

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Seul, 15 abr. 2026 – A Coreia do Norte tem evitado qualquer envolvimento direto na guerra que opõe Irã, Estados Unidos e Israel desde fevereiro. Segundo serviços de inteligência sul-coreanos, o ditador Kim Jong-un adota um “silêncio estratégico” para não fechar portas a futuras negociações com o presidente norte-americano Donald Trump.

Postura incomum

Apesar da longa parceria militar com Teerã, Pyongyang não enviou armas nem expressou condolências formais pela morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no início do ano. O Ministério das Relações Exteriores limitou-se a dois comunicados protocolares que condenaram ataques de Washington e Tel Aviv, sem mencionar Trump. Desde meados de março, não houve novas declarações oficiais.

Cálculo diplomático

Fontes da inteligência sul-coreana afirmam que Kim Jong-un quer preservar espaço para um eventual diálogo com a Casa Branca, especialmente após a cúpula agendada para maio entre o líder chinês Xi Jinping e Donald Trump. Analistas avaliam que o líder norte-coreano vê oportunidade de obter concessões econômicas ou alívio de sanções se mantiver uma postura moderada.

Cooperação militar permanece

Embora discreta no momento, a ligação bélica entre os dois países segue evidente. Especialistas identificam “impressões digitais” norte-coreanas no arsenal de curto e médio alcance utilizado pelo Irã, fruto de décadas de venda de tecnologia, construção de fábricas e treinamento de tropas iranianas.

Impacto interno

A guerra no Oriente Médio já pesa no bolso dos norte-coreanos. Em março, o preço da gasolina subiu 17% e o do diesel, mais de 20%, após a China – principal fornecedor de energia a Pyongyang – reduzir embarques de petróleo diante da escalada dos preços globais. A alta se refletiu em itens básicos como milho e na cotação do dólar no mercado negro, atingindo sobretudo a população de baixa renda e prejudicando cadeias industriais.

“Laboratório” de lições bélicas

O conflito também serviu como estudo de caso para o regime. A morte de Khamenei reforçou, segundo observadores, a convicção de Kim de que o arsenal nuclear garante a sobrevivência do Estado. Pyongyang, desde então, intensificou testes com mísseis balísticos intercontinentais, projéteis de ogivas múltiplas e armamentos destinados a desativar redes elétricas – capacidades desenvolvidas a partir de lições obtidas tanto na guerra da Ucrânia quanto nos ataques recentes no Irã.

Com a diplomacia calibrada entre silêncio e demonstração de força, Kim Jong-un busca manter abertas duas frentes: a parceria técnica com Teerã e a possibilidade de nova rodada de conversas diretas com Washington.

Com informações de Gazeta do Povo