A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava fraudes contra aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teve o relatório final rejeitado por 19 votos a 12 na sessão de 15 de abril de 2026. A maioria dos integrantes decidiu arquivar o parecer que solicitava novas investigações sobre suspeitos de envolvimento no esquema que lesou milhões de beneficiários.
No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou pedido de prorrogação da CPMI, encerrando de forma definitiva os trabalhos. A decisão ocorreu apesar dos apelos de parlamentares favoráveis a aprofundar a apuração do desvio de recursos pagos pelo governo federal para ressarcir os atingidos. O reembolso, lembram os críticos, saiu do Tesouro Nacional, sem recuperação dos valores diretamente junto aos responsáveis pelo golpe.
O jurista Ives Gandra da Silva Martins classificou o desfecho como parte de uma “operação abafa” que, segundo ele, envolveria Executivo, Legislativo e Judiciário. Para o professor, o Palácio do Planalto teria orientado sua base a engavetar o relatório, enquanto a Presidência do Senado evitou a extensão dos trabalhos e o STF vetou a continuidade da investigação.
Banco Master também sob questionamento
Paralelamente, a imprensa aponta prejuízo superior a R$ 50 bilhões no Banco Master, com impacto em pequenos depositantes e na estabilidade do sistema financeiro. O caso, assim como as supostas irregularidades no INSS, ocorreu durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, motivo pelo qual especialistas pedem apuração “rígida e transparente”.
Confiança nas instituições em queda
Pesquisas citadas por Gandra indicam que 60% da população não confia no STF e apenas 16% declaram plena confiança na Corte, conforme dados divulgados por Estadão e Folha. Executivo e Legislativo apresentam índices semelhantes de descrédito.
O Brasil ocupa atualmente a 107ª posição no ranking mundial de percepção de corrupção da Transparência Internacional, indicador que, segundo o jurista, reforça a necessidade de investigações para evitar danos maiores à imagem do país.
Ao defender a abertura de inquéritos tanto no caso do INSS quanto no do Banco Master, Ives Gandra afirmou esperar que a Suprema Corte lidere um processo capaz de recuperar o prestígio perdido pelas instituições e atender à demanda da sociedade por transparência.
Com informações de Pleno.News