Home / Economia / Ex-técnicos do BC relatam alerta ignorado sobre má fama de Daniel Vorcaro antes da compra do Banco Máxima

Ex-técnicos do BC relatam alerta ignorado sobre má fama de Daniel Vorcaro antes da compra do Banco Máxima

ocrente 1776189920
Spread the love

Brasília, 14 de abril de 2026 – Relatos de antigos servidores do Banco Central (BC) indicam que, ainda em 2019, a direção tinha conhecimento da péssima reputação de Daniel Vorcaro, hoje preso e investigado por fraudes financeiras. Apesar dos avisos internos, a autarquia aprovou a aquisição do então Banco Máxima, que viria a se chamar Banco Master.

Advertências internas não foram formalizadas

Segundo esses ex-funcionários, a fama de “picareta” atribuída ao banqueiro e a sua família em Belo Horizonte era assunto recorrente nos corredores do BC. As suspeitas, contudo, não foram registradas em documentos oficiais capazes de bloquear a operação. A área técnica concentrou-se nos balanços e certidões apresentados por Vorcaro.

Processo negado e depois liberado

Na gestão de Ilan Goldfajn, o BC rejeitou a compra por falhas na comprovação da origem dos recursos. Meses mais tarde, já com Roberto Campos Neto na presidência, Vorcaro apresentou ajustes contábeis e quitou débitos fiscais. Sem decisões judiciais definitivas contra o empresário, a diretoria concluiu que não havia respaldo legal para impedir o negócio, temendo ações na Justiça.

Diretor sob investigação

Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de Fiscalização, participou do parecer favorável. Investigações da Polícia Federal apontam que ele teria fornecido informações internas a Vorcaro. A defesa do ex-dirigente nega irregularidades e afirma que a deliberação foi colegiada, voltada à estabilidade do sistema financeiro.

Evitar liquidação custosa

O Banco Máxima enfrentava um rombo bilionário. Liquidá-lo significaria acionar o Fundo Garantidor de Créditos para cobrir depósitos, gerando alto impacto financeiro. Por isso, a autoridade monetária opta, quando possível, por encontrar compradores dispostos a assumir instituições em crise.

Prisões e novas acusações

Hoje, Vorcaro responde a investigações que mencionam desvios bilionários envolvendo o Banco de Brasília e o INSS. Ele também é suspeito de chefiar um grupo armado para coagir testemunhas e atrapalhar apurações. A nova prisão ocorreu neste ano, reacendendo dúvidas sobre a decisão de 2019.

As revelações reforçam questionamentos sobre os critérios adotados pelo Banco Central na autorização de entrada de novos controladores no sistema bancário.

Com informações de Gazeta do Povo