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Rede de pequenas hidrelétricas já equivale a meia Itaipu e deve dobrar com novos leilões

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A geração de energia por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) ganhou força no país e hoje soma 6,9 GW de potência instalada, volume que corresponde a 3,1% da matriz elétrica brasileira — o equivalente à metade da usina de Itaipu.

Levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indica a existência de 432 PCHs, com potência entre 5 MW e 30 MW, e 708 CGHs, até 5 MW, distribuídas em todos os estados. Santa Catarina lidera com 255 unidades, seguida por Minas Gerais (205), Mato Grosso (131), Rio Grande do Sul (123) e Paraná (116).

Potencial inexplorado

Estudo da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch) aponta 1.089 aproveitamentos mapeados que somariam 14,1 GW — uma “nova Itaipu” em projetos de pequeno porte ainda sem investimento. “São baterias naturais e amortecedores do sistema”, destaca a presidente da entidade, Alessandra Torres.

Obras em curso e novos certames

Atualmente, 111 usinas de pequeno porte estão em construção ou já autorizadas. Parte delas foi contratada no 39º Leilão de Energia Nova A-5, realizado em agosto de 2025, que viabilizou 55 PCHs e 8 CGHs, totalizando quase 800 MW em 11 estados e investimentos superiores a R$ 8 bilhões. A entrega da energia está prevista para 2030.

O Ministério de Minas e Energia transferiu para o segundo semestre deste ano um novo leilão específico para PCHs, com expectativa de contratar 3 GW adicionais.

Impacto local e vantagens sistêmicas

Estudo da Aneel publicado em 2022 mostra que municípios que recebem esses empreendimentos registraram aumento médio de 19,9% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em relação a cidades de porte semelhante sem usinas. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, a cadeia produtiva 100% nacional desses projetos amplia a geração de empregos e reduz pressão sobre a tarifa de energia.

Lenzi ressalta ainda benefícios ambientais, como preservação de nascentes e melhoria na qualidade da água. Para ele, avanços em licenciamento, financiamento e regulação serão decisivos para transformar o potencial mapeado em capacidade instalada.

Com informações de Gazeta do Povo