Home / Internacional / Hungria decide futuro político neste domingo; Orbán corre risco após 16 anos no poder

Hungria decide futuro político neste domingo; Orbán corre risco após 16 anos no poder

ocrente 1775952284
Spread the love

Neste domingo, 12 de abril de 2026, a Hungria realiza eleições parlamentares que podem encerrar a sequência de quatro mandatos consecutivos do primeiro-ministro Viktor Orbán. Pesquisas apontam vantagem do Tisza, partido criado em 2020 e hoje liderado pelo ex-aliado Péter Magyar, sobre o governista Fidesz, dominante no Parlamento desde 2010.

Disputa nas urnas

De acordo com a média de levantamentos do jornal Politico, divulgada na reta final da campanha, o Tisza reúne 50% das intenções de voto, contra 39% do Fidesz. O resultado das urnas definirá os 199 assentos da Assembleia Nacional e, consequentemente, quem comandará o gabinete em Budapeste pelos próximos quatro anos.

Pressão internacional e apoios a Orbán

O pleito ganhou dimensão global após o ex-presidente americano Donald Trump declarar, nas redes sociais, que um eventual quinto mandato de Orbán contaria com “todo o poderio econômico” dos Estados Unidos. O vice-presidente norte-americano J.D. Vance chegou a visitar Budapeste para reforçar o gesto. Líderes da direita internacional, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, a francesa Marine Le Pen, o presidente argentino Javier Milei e o premiê israelense Benjamin Netanyahu, também gravaram mensagens de apoio. O Kremlin, sob Vladimir Putin, mantém afinidade declarada com o governo húngaro.

Insatisfação interna

Apesar dos apoios externos, Orbán enfrenta desgaste interno provocado por inflação em alta, denúncias de corrupção e críticas à proximidade com Moscou. Pesquisa da agência Median indica que 52% dos húngaros consideram a invasão russa à Ucrânia “uma agressão injustificada”, posicionamento que contrasta com a linha adotada pelo premiê. Mesmo após o início da guerra, Budapeste manteve a importação de energia russa e, em fevereiro, classificou a União Europeia como “ameaça maior” que a Rússia.

Último dia de campanha

Na véspera da votação, dezenas de milhares de pessoas lotaram a Praça dos Heróis, em Budapeste, em ato contra o Fidesz. Magyar encerrou sua maratona de até sete discursos diários em Debrecen, segunda maior cidade do país, onde prometeu conquistar “maioria de dois terços” – 133 cadeiras – para revogar mudanças institucionais aprovadas pelos adversários.

Orbán reuniu apoiadores em Székesfehérvár, reduto histórico do Fidesz, antes de um comício final na capital. Alertou que uma derrota poderia fazer o país “perder tudo o que foi construído” e reforçou o discurso de que UE e Ucrânia representam riscos à Hungria.

Projetos e trajetória dos candidatos

Ao longo de 16 anos ininterruptos no poder, Orbán endureceu o controle migratório, estimulou políticas pró-família, restringiu conteúdos ligados à homossexualidade para menores e contestou diretrizes de Bruxelas em temas como imigração e organização institucional.

Magyar, 45 anos, jurista formado em Budapeste e ex-diplomata em Bruxelas, rompeu com o Fidesz em fevereiro de 2024 após um escândalo de indulto concedido a um condenado por acobertar abuso infantil. Desde então, assumiu o Tisza, que obteve 29,6% na eleição europeia de junho de 2024, elegendo sete deputados. Ele se apresenta como conservador de centro-direita, promete combater a corrupção, reforçar a independência da mídia e do Judiciário, limitar primeiros-ministros a dois mandatos e reduzir a dependência energética da Rússia até 2035, sem enviar armas à Ucrânia.

Pesquisadores favoráveis ao governo alertam para a possibilidade de “voto oculto” pró-Fidesz, lembrando que Orbán já reverteu desvantagens em disputas anteriores. A contagem oficial terá início após o encerramento das urnas, previsto para a noite deste domingo.

Com informações de Gazeta do Povo