O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou na noite de segunda-feira (6) que um bom magistrado “não privilegia amigos nem persegue inimigos”. A declaração ocorreu durante cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde ele recebeu o Colar da Honra ao Mérito Legislativo.
Mendonça falou a parlamentares, autoridades e convidados, entre eles o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no STF.
Compromisso com a imparcialidade
No discurso, o ministro disse que magistrados devem ser “imparciais, íntegros e responsáveis”, ressaltando que seu único interesse no Judiciário é “fazer o que é certo”. Relator dos inquéritos que investigam o Banco Master e descontos irregulares no INSS, ele garantiu que seguirá esses princípios na Corte.
“Imparcialidade é olhar todas as pessoas de forma igualitária, considerar interesses de modo equânime”, declarou. “Esse é o compromisso que faço na Casa do Povo de São Paulo.”
Crise no STF
As falas de Mendonça acontecem em meio à repercussão do chamado “caso Master”. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito depois de a Polícia Federal encontrar menções a seu nome no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Também veio à tona contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes. Ambos negam irregularidades, e o presidente do STF, Edson Fachin, anunciou que prepara um Código de Ética para os membros do tribunal.
Apoio a Messias
Jorge Messias não discursou, mas foi citado por Mendonça, que classificou como “honra” tê-lo presente e declarou apoio à sua indicação ao Supremo. “Faço votos de que, em breve, você possa deixar a AGU para estar comigo no STF”, afirmou.
Líderes evangélicos em destaque
O autor da homenagem, deputado estadual Oseias de Madureira (PL) — pastor evangélico — ressaltou que Mendonça “dá voz” a um segmento da sociedade que valoriza família e liberdade religiosa. Também compareceram o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que classificou o ministro como “exemplo” e disse considerá-lo amigo.
Mendonça é pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, na capital paulista. Messias integra a Igreja Batista Cristã de Brasília.
A solenidade terminou com aplausos e fotos oficiais dos convidados.
Com informações de Gazeta do Povo