O Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 30,4 bilhões em carteiras de ativos do Banco Master entre julho de 2024 e março de 2026, segundo planilhas obtidas pelo portal Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI) e publicadas em 6 de abril. O volume pode chegar a mais de R$ 40 bilhões quando consideradas substituições avaliadas em cerca de R$ 10 bilhões.
Os dados, divulgados pela coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, detalham a compra de fundos de crédito de varejo, atacado, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e outras aplicações. As aquisições continuaram mesmo depois de o BRB identificar que parte dos ativos apresentava baixa qualidade.
Auditoria e investigação interna
Funcionários ouvidos pela Polícia Federal relataram ter participado de auditoria interna que apontou falhas na compra de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados. Nos depoimentos, eles afirmaram que havia indícios de intencionalidade nas operações e que alertas sobre riscos foram ignorados pela diretoria.
A aquisição das carteiras ocorreu até um mês antes da liquidação do Banco Master e da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O BRB está submetido a uma auditoria forense para calcular o prejuízo real, estimado entre R$ 6 bilhões e R$ 15 bilhões.
Rebaixamento de rating
Na semana passada, a Moody’s do Brasil rebaixou o rating do BRB de BBB-.br para CCC+.br, classificando a instituição como detentora de crédito “muito fraco” e próxima da inadimplência caso não haja injeção urgente de capital. A agência manteve a nota em revisão para novos cortes e acompanhará a Assembleia Geral marcada para 22 de abril, quando será analisado um plano de aumento de capital.
Procurado pela reportagem, o BRB não se manifestou até o fechamento deste texto.
Com informações de Gazeta do Povo