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Adolescentes recorrem à telemedicina para contornar aval dos pais em abortos, aponta estudo

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Washington (EUA) – Um relatório divulgado na revista JAMA Health Forum indica que adolescentes norte-americanos estão utilizando serviços de telemedicina para obter pílulas abortivas e, assim, evitar a exigência de consentimento parental em diversos estados.

Maior procura entre jovens

Os pesquisadores analisaram pedidos feitos a um provedor on-line de aborto medicamentoso em três faixas etárias: 15 a 17 anos, 18 a 24 anos e 25 a 49 anos. Entre os 18 a 24 anos foi registrada a maior frequência de solicitações, mas o levantamento mostrou que, proporcionalmente, cresce o número de pedidos de adolescentes de 15 a 17 anos em estados que exigem autorização ou notificação dos pais para a realização do procedimento.

Impacto das restrições legais

O estudo observa que, após a decisão da Suprema Corte no caso Dobbs, que devolveu aos estados a competência para legislar sobre aborto, a busca por pílulas abortivas via internet aumentou em todo o país. Contudo, o salto foi consideravelmente maior nas unidades federativas onde vigoram leis de envolvimento parental ou outras restrições ao aborto.

Avaliação de especialista

Para Michael New, pesquisador do Instituto Charlotte Lozier e professor assistente da Universidade Católica da América, os dados mostram que os medicamentos abortivos “minam as proibições ao aborto, as leis do batimento cardíaco e as normas de consentimento dos pais em vigor em mais de 30 estados”. Segundo ele, os maiores aumentos de solicitações por menores de idade ocorreram justamente nessas localidades.

Preocupações de saúde pública

New alerta que a obtenção de pílulas abortivas sem acompanhamento presencial pode expor adolescentes a riscos adicionais. Estudos citados por ele apontam que o aborto medicamentoso apresenta taxa de complicações quatro vezes superior à do procedimento cirúrgico, além de indícios de subnotificação desses eventos. “Meninas que recorrem à telemedicina podem evitar procurar ajuda médica se surgirem complicações, aumentando os perigos envolvidos”, acrescentou.

O relatório conclui que a combinação entre restrições legais estaduais e a disponibilidade on-line de medicamentos cria um cenário no qual adolescentes buscam cada vez mais a telemedicina para interromper a gravidez sem o conhecimento dos responsáveis.

Com informações de Gazeta do Povo