Brasília – O sistema de pagamentos instantâneos Pix transformou-se em tema central da pré-campanha presidencial de 2026, colocando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em lados opostos do debate.
Acusações na rede
Na quinta-feira (2), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou em rede social que Flávio Bolsonaro pretende extinguir o Pix caso chegue ao Palácio do Planalto. Segundo o parlamentar, o silêncio do senador diante de um relatório do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o Pix revelaria submissão a interesses estrangeiros. “O patriotismo do Flávio Bolsonaro acaba onde começam as ordens do Trump”, escreveu.
Perfis alinhados à esquerda ampliaram a acusação, associando o senador a uma suposta interferência internacional contrária ao sistema de pagamentos criado pelo Banco Central.
Resposta do senador
Também na quinta-feira, Flávio Bolsonaro reagiu pelo Instagram. Ele classificou a denúncia como “mais uma mentira do PT” e garantiu que não pretende acabar com o serviço. “O Pix já é um patrimônio brasileiro. É um legado muito importante criado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro”, afirmou. O senador acrescentou que o governo petista sonharia em taxar as transações e prometeu: “A gente lutou contra e protegeu o Pix. Agora não vai ser diferente”.
Lula defende soberania sobre o sistema
No mesmo dia, durante evento em Salvador, Lula criticou o relatório norte-americano, que cita o Pix como possível barreira ao comércio internacional e risco para o dólar. Sem mencionar Flávio, o presidente declarou: “O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele presta à sociedade brasileira”.
Relatório dos EUA
O documento do USTR relata preocupações de instituições financeiras dos Estados Unidos de que o Banco Central brasileiro estaria favorecendo o Pix, colocando em desvantagem fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico. O texto também destaca a exigência de adoção do Pix por bancos com mais de 500 mil contas ativas.
A controvérsia reacendeu símbolos de campanha: militantes do PT voltaram a exibir bonés azuis com o slogan “O Brasil é dos brasileiros”, em contraposição ao “Make America Great Again” usado por apoiadores de Donald Trump.
Com o sistema de pagamentos no centro do palco, Lula e Flávio Bolsonaro intensificam a disputa por narrativas às vésperas do calendário eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo