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Alinhamento com Trump impulsiona Paraguai em defesa, minerais críticos e economia

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Assunção – O governo do Paraguai intensificou nas últimas semanas sua aproximação com os Estados Unidos, aproveitando o retorno de Donald Trump à Casa Branca para ampliar acordos em defesa, exploração de minerais estratégicos e outros setores da economia. A estratégia, liderada pelo presidente Santiago Peña, busca colocar o país em um patamar de maior projeção regional e sustentar o chamado “milagre econômico” paraguaio.

Minerais críticos no centro da agenda

Em fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores paraguaio anunciou um compromisso bilateral para acelerar o fornecimento seguro de terras raras e outros minerais usados em tecnologias avançadas e na indústria de defesa norte-americana. O acerto integra um plano estratégico de Washington para reduzir a dependência desses insumos vindos da China.

Para atrair capital privado, Assunção prepara uma atualização do código de mineração. Segundo o vice-ministro de Minas e Energia, Mauricio Bejarano, levantamentos realizados em janeiro identificaram “indícios” de reservas de elementos de terras raras no território paraguaio.

Parceria militar reforçada

Em março, Peña sancionou o Acordo do Estatuto das Forças (SOFA), que autoriza o envio de militares norte-americanos ao país. Pelo texto, tropas e civis do Departamento de Defesa dos EUA em missão no Paraguai ficam submetidos à jurisdição americana e podem circular com equipamentos e aeronaves após simples notificação às autoridades locais.

Washington pretende usar a cooperação para intensificar a vigilância na Tríplice Fronteira, área onde organizações criminosas expandem suas operações. Como gesto adicional, o Paraguai passou a classificar facções brasileiras — entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) — como grupos terroristas, medida cobrada pelos EUA ao Brasil.

Energia, tecnologia e agricultura no radar

A agenda bilateral pode avançar também em energia, tecnologia e agricultura. No ano passado, o secretário de Estado americano Marco Rubio sugeriu que Washington pretende comprar parte da eletricidade gerada pela hidrelétrica de Itaipu para alimentar futuros projetos de inteligência artificial instalados no Paraguai — negociação que pode impactar a revisão do tratado binacional com o Brasil.

No campo agrícola, as exportações de carne bovina paraguaia para os EUA duplicaram no último ano, colocando o mercado norte-americano como segundo maior destino do produto, atrás apenas do Chile.

Crescimento e novo status de “tigre guarani”

Com ambiente tributário enxuto e menos burocracia, o Paraguai ganhou o apelido de “tigre guarani”. A projeção de PIB para 2026 é de 4%, impulsionada por serviços, indústria e construção. A inflação encerrou 2025 em cerca de 3,1%, uma das menores da América Latina.

A tração econômica refletiu em 47.687 pedidos de residência em 2025, alta de 63% sobre o ano anterior; 40.600 autorizações foram concedidas, mais da metade a brasileiros. O turismo também avançou: 3,6 milhões de estrangeiros visitaram o país no ano passado, salto de 91% com maior presença de argentinos e brasileiros.

Olho nos 500 anos de Assunção

De olho no fluxo crescente, o governo elabora um plano de revitalização da capital para celebrar os 500 anos de Assunção, em 2037, em parceria com a prefeitura e o setor privado.

Com informações de Gazeta do Povo