A reta final da janela partidária, que se encerra nesta sexta-feira (3), redesenhou o mapa de forças na Câmara dos Deputados. O Partido Liberal (PL) registrou saldo positivo de 12 parlamentares — 19 filiações e sete baixas — e ultrapassou a marca de 100 deputados titulares, tornando-se a maior bancada da Casa. No sentido oposto, o União Brasil soma perda líquida de 16 cadeiras, resultado de 19 saídas e apenas três novas adesões.
Desde a abertura do período de mudança de legenda, em 5 de março, mais de 50 deputados trocaram de partido sem risco de punição por infidelidade. O movimento reflete, segundo o cientista político Alexandre Bandeira, a busca por siglas com maior competitividade eleitoral diante do avanço da cláusula de barreira que, em 2026, exigirá desempenho mínimo nacional e representação em diversos estados para que as agremiações mantenham acesso a recursos partidários.
União Brasil tenta conter deserções
Entre as principais baixas do União Brasil estão o ex-ministro Mendonça Filho; o senador Sérgio Moro e a deputada Rosângela Moro; o deputado Sargento Fahur; o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar; além de Coronel Assis, Padovani, Carla Dickson e Nicoletti — todos agora filiados ao PL. O líder da sigla na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, tenta atrair reforços para estancar novas saídas.
Bandeira avalia que a federação UniãoPP reduziu a atratividade do partido por limitar o número de candidaturas disponíveis em cada estado, aumentando a disputa interna e incentivando parlamentares a buscar legendas com menor concorrência.
Centrão se reorganiza
Outras siglas do Centrão também avançaram. O PSD, comandado por Gilberto Kassab, filiou nomes como os deputados Heitor Schuch (ex-PSB) e Lucas Redecker (ex-PSDB) no Rio Grande do Sul, sob articulação do governador Eduardo Leite. Republicanos, MDB e Podemos igualmente buscam ampliar espaço.
O Cidadania corre o risco de perder quase toda a bancada federal para o PSD, com exceção do deputado Arnaldo Jardim. Em São Paulo, a migração de tucanos e quadros do Cidadania fortalece a base do governador Tarcísio de Freitas.
Perdas pontuais no PL e avanço do PSDB
Apesar do crescimento, o PL contabilizou ao menos quatro saídas para PSDB, Podemos e PRD. O PSDB, por sua vez, tenta recuperar protagonismo e já filiou nove deputados, entre eles o ex-ministro Juscelino Filho, que deixou o União Brasil.
Esquerda mantém estabilidade
No campo da esquerda, a movimentação foi menor. O PT preserva praticamente toda a sua bancada, enquanto o PSOL reafirmou independência ao recusar federação com os petistas e manter aliança com a Rede. O PSB surge como opção para parlamentares de centro-esquerda.
Para o cientista político Adriano Cerqueira, a direita se expande com maior liberdade, enquanto a esquerda age de forma mais defensiva para não perder espaço em um eleitorado que se mostra mais conservador.
O novo equilíbrio deverá impactar a composição de comissões e a distribuição de relatorias na Câmara. Embora concentrem mais cadeiras, os grandes partidos ainda precisarão negociar com diferentes correntes internas e legendas menores para aprovar pautas no plenário.
Com informações de Gazeta do Povo