Brasília – 1.º abr. 2026 – A ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para turbinar a popularidade em ano eleitoral, ancorada em ampliação de crédito, reforço de programas sociais e isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, não produziu o retorno esperado nas pesquisas de intenção de voto. Diante do resultado modesto, o Planalto organiza um novo pacote de medidas econômicas às pressas.
Pesquisas mostram estagnação
Levantamento AtlasIntel divulgado em 25 de março indica Lula na frente no primeiro turno, mas derrotado em cenários de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL). Já o Paraná Pesquisas, publicado em 30 de março, apontou empate técnico entre Lula e Flávio no primeiro turno e nova vitória do deputado no segundo.
Fatores que travam a popularidade
Economistas citam alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, inflação persistente, endividamento recorde das famílias e desgaste político com escândalos recentes no INSS e no Banco Master como obstáculos à estratégia do governo. A combinação pressiona o Palácio do Planalto a apenas seis meses das urnas.
Novo pacote em estudo
Para reagir, assessores de Lula discutem ações sobre o crédito rotativo do cartão, regulamentação do trabalho por aplicativos, extinção da escala 6×1 e possível eliminação do imposto sobre compras internacionais em sites como Shein, Shopee e AliExpress – a chamada “taxa das blusinhas” criada em 2024.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam, porém, que os efeitos de curto prazo podem não chegar a tempo de influenciar o eleitorado e ainda gerar impactos fiscais e inflacionários.
Inflação e “efeito Biden” assombram campanha
Com preços em alta, Lula intensificou críticas a distribuidoras e postos de combustíveis e delegou ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, a missão de evitar repasses do petróleo para as bombas. O temor é o chamado “efeito Biden”, descrito pela agência Bloomberg em 26 de março: insistir na reeleição em meio a perda de popularidade e pressão sobre o custo de vida.
Números da economia
Mesmo com desemprego baixo e PIB em crescimento moderado, o endividamento das famílias alcançou 49,7 % da renda, segundo o Banco Central, e o comprometimento com juros e amortizações subiu a 29,2 %. A inflação ao consumidor avançou 0,44 % em março, ante previsão de 0,29 %, acumulando 3,9 % em 12 meses e limitando espaço para cortes na taxa Selic.
Gasto público sob pressão
Projeções do Banco Central sinalizam que a dívida bruta pode chegar a 85 % do PIB em 2027. Analistas observam que o governo já utilizou parte considerável do espaço fiscal e enfrenta restrições legais para adotar medidas populistas a poucos meses da eleição.
Custos da guerra no Irã
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ameaça elevar ainda mais o barril do petróleo. O Planalto estuda subsidiar o diesel, zerar tributos federais e pressionar estados a reduzir o ICMS, mas os governadores resistem a dividir o impacto nas receitas.
Metodologia das sondagens
A AtlasIntel ouviu 5.028 eleitores entre 18 e 23 de março, margem de erro de 1 ponto percentual e registro no TSE nº BR-04227/2026. O Paraná Pesquisas entrevistou 2.080 pessoas de 25 a 28 de março, margem de erro de 2,2 pontos e registro nº BR-00873/2026.
Com o cenário econômico incerto e a popularidade patinando, a equipe de campanha de Lula admite internamente que novas iniciativas precisam ser anunciadas nas próximas semanas para tentar reverter o quadro adverso.
Com informações de Gazeta do Povo