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Agricultura tropical brasileira ganha papel-chave na missão lunar Artemis II da Nasa

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Brasília — Uma rede de cientistas brasileiros comandada pela Embrapa acompanhará de perto o lançamento da missão Artemis II, programado para as 19h24 (horário de Brasília) desta quarta-feira (1.º) no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). O voo da Nasa, primeiro a levar astronautas à órbita da Lua em mais de 50 anos, é considerado etapa decisiva para a instalação de bases permanentes fora da Terra — desafio que passa diretamente pela experiência do agronegócio tropical desenvolvido no Brasil.

Pesquisadores em rede

Formado em 2020, o grupo Space Farming Brazil reúne dezenas de pesquisadores de 22 instituições, entre elas Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e Esalq/USP. A rede representa o país no Acordo Artemis, iniciativa liderada pelos Estados Unidos que já soma 61 nações signatárias; o Brasil aderiu em 2021.

O objetivo principal é viabilizar o cultivo de alimentos em ambientes de microgravidade, radiação intensa e ausência de solo fértil. Hoje, o envio de 1 kg de comida da Terra para a Lua custa cerca de US$ 1 milhão, valor que torna a produção local indispensável para missões de longa duração.

Ensaios em solo e no espaço

Experimentos realizados na Esalq/USP, em Piracicaba (SP), simulam diferentes níveis de gravidade com o auxílio de CubeSats. As plantas apresentaram alto estresse, o que reforça a necessidade de técnicas como aeroponia e hidroponia, além de revestimentos que protejam contra a radiação cósmica.

Em dezembro, pesquisadores da Embrapa Hortaliças testaram sistemas hidropônicos e aeropônicos no Habitat Marte, instalação análoga em Caiçara do Rio do Vento (RN). Sensores de Internet das Coisas permitiram acompanhar tomates à distância, economizando até 80 % de água e nutrientes — tecnologia que também pode beneficiar agricultores em regiões áridas.

A rede brasileira já enviou material biológico ao espaço em duas ocasiões. Em abril do ano passado, sementes de grão-de-bico e mudas de batata-doce voaram na missão suborbital NS-31 da Blue Origin; em agosto, sementes de morango, orquídeas e grama-batatais seguiram para a Estação Espacial Internacional.

O voo da Artemis II

A cápsula Orion viajará durante dez dias com os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Embora não carregue cultivos, a missão testará sistemas de suporte à vida e estudos biológicos, como o experimento AVATAR, que avalia os efeitos da radiação na medula óssea, e o ARCHeR, focado em padrões de sono e desempenho cognitivo.

Próximos passos do programa

Após a Artemis II, a Nasa planeja lançar a Artemis III em 2027, agora restrita a órbita baixa da Terra para validar o acoplamento da Orion a módulos de pouso desenvolvidos por SpaceX e Blue Origin. O retorno humano ao solo lunar ficou para a Artemis IV, prevista para 2028.

Nessa etapa, o polo sul lunar receberá o experimento Leaf, primeira horta a céu aberto fora da Terra. Astronautas irão germinar Brassica rapa (nabo), Wolffia (lentilha-d’água) e Arabidopsis thaliana, avaliando fotossíntese e respostas fisiológicas sob gravidade de um sexto da terrestre. O resultado servirá de base para missões ainda mais longas, como a futura viagem a Marte.

A experiência acumulada pela agricultura tropical brasileira neste esforço promete, segundo a Embrapa, gerar tecnologias que também poderão ser aplicadas em solo nacional, especialmente em áreas sujeitas à escassez de água e à desertificação.

Com informações de Gazeta do Povo