WASHINGTON / LONDRES — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira (1º) pelo jornal britânico The Telegraph que considera “além de qualquer reconsideração” a retirada norte-americana da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ironizou o principal aliado europeu de Washington. “Vocês [britânicos] nem sequer têm uma Marinha”, disse o republicano, classificando a aliança militar como “um tigre de papel”.
Questionado sobre o apoio aliado na atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — conflito iniciado em 28 de fevereiro, que quase encerrou o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo —, Trump reclamou da falta de ação europeia. Segundo ele, a ajuda “deveria ter sido automática”, assim como os EUA apoiaram a Ucrânia desde a invasão russa de 2022, mesmo o país não sendo membro da Otan.
Ao falar especificamente do Reino Unido, o presidente norte-americano citou problemas em porta-aviões britânicos e afirmou que o primeiro-ministro Keir Starmer “pode fazer o que quiser” em relação a investimentos em defesa. “Tudo o que Starmer quer são turbinas eólicas caras que estão elevando os preços da energia às alturas”, declarou.
Resposta de Starmer
Em coletiva de imprensa em Londres, também nesta quarta-feira, o premiê trabalhista reagiu. “O Reino Unido está plenamente comprometido com a Otan”, garantiu. Starmer frisou que “esta guerra [no Irã] não é nossa e não nos envolveremos nela”, mas acrescentou que pretende “fortalecer os laços com a Europa” em assuntos de defesa, segurança e economia. O governo britânico, disse, organizará uma reunião com líderes internacionais para discutir saídas diplomáticas e políticas que permitam reabrir o Estreito de Ormuz.
Relatório aponta perda de protagonismo naval britânico
As provocações de Trump coincidem com um relatório encomendado pelo Parlamento britânico e publicado na edição de março/abril de 2025 da revista Warship World. O documento aponta que a outrora poderosa Marinha Real (Royal Navy) foi superada pela Força de Autodefesa Marítima do Japão (JMSDF). Segundo o estudo, a JMSDF contava com 150 navios, 50,8 mil militares e 346 aeronaves, contra 79 navios, 31,9 mil integrantes e 160 aeronaves da frota britânica.
Entre 2013 e 2024, o Japão recebeu 12 novos contratorpedeiros e fragatas; no mesmo período, a Royal Navy não incorporou nenhuma embarcação de escolta — a última foi o contratorpedeiro Duncan, entregue em 2013. Hoje, a Marinha britânica mantém 14 escoltas em serviço, enquanto a japonesa opera 46.
Apesar das críticas de Trump, Starmer reiterou que tomará “decisões no interesse nacional britânico” e evitou comentar diretamente o estado atual da frota do Reino Unido.
Com informações de Gazeta do Povo