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Preço do petróleo sobe com conflito no Irã e dá fôlego temporário à Rússia, mas déficit público alcança 3,9% do PIB

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A escalada do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã provocou uma disparada nos preços internacionais do petróleo e do gás, beneficiando a Rússia ao mesmo tempo em que Washington suspendeu parcialmente sanções sobre as exportações de energia de Moscou. Apesar do alívio imediato, analistas alertam que o déficit público russo deve continuar se ampliando.

Exportações afetadas antes da guerra no Oriente Médio

Até o início das hostilidades no Golfo Pérsico, o Kremlin lidava com um cenário econômico adverso. A Índia, pressionada pelo governo norte-americano de Donald Trump, interrompeu a compra de petróleo russo, enquanto ataques ucranianos a terminais e a apreensão de petroleiros reduziram em 40% a capacidade de exportação da commodity, segundo cálculo da agência Reuters.

Bloqueio no Estreito de Ormuz impulsiona receitas

O bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do comércio mundial de energia, fez o barril disparar. Com isso, a arrecadação russa ganhou fôlego. O país colabora com Teerã fornecendo drones, inteligência militar e ajuda humanitária, e o presidente Vladimir Putin torce por um conflito prolongado que mantenha os preços em alta.

Déficit sobe mesmo com petróleo valorizado

Especialistas, porém, afirmam que a maré favorável não resolve o principal gargalo de Moscou: o crescente rombo nas contas públicas. O déficit orçamentário consolidado saltou de 1,7% do PIB para 3,9% em 2025. Para o economista Sergei Shelin, o buraco deve aumentar pela queda das receitas não ligadas a petróleo e gás, enquanto os gastos militares superam projeções desde 2022.

Dados do Banco Mundial apontam que as despesas de defesa russas saltaram de 3,6% do PIB em 2021 para 7,1% em 2024.

Alívio considerado passageiro

Em entrevista, o economista Igor Lucena avalia que a guerra no Irã deve ter desfecho breve e, portanto, o benefício para as finanças russas tende a ser curto. Segundo ele, mesmo em economia de guerra, o modelo não se sustenta por “mais três ou quatro anos”.

Lucena lembra que setores como automotivo, bens de luxo e turismo poderiam reduzir a dependência russa de energia, mas o Kremlin não demonstra interesse em diversificar. A interferência estatal nas empresas, diz, preserva a influência política de Putin.

Venda de ouro e apoio de oligarcas

Para reforçar o caixa, o Banco Central russo vendeu cerca de 15 toneladas métricas de ouro de suas reservas nos dois primeiros meses do ano, o maior volume desde 2002, segundo o Conselho Mundial do Ouro. O Kremlin confirmou que pelo menos um oligarca se ofereceu para financiar a guerra na Ucrânia em reunião a portas fechadas, onde Putin teria solicitado doações.

Cortes de gastos foram descartados

No início de março, fontes da Reuters informaram que o governo considerava reduzir em 10% as despesas não sensíveis, mantendo intacto o orçamento militar. Contudo, na última sexta-feira (27), fontes ouvidas pela Bloomberg relataram que o plano foi abandonado.

Assim, mesmo com a alta do petróleo garantindo receita extra, a Rússia segue sem solução permanente para equilibrar suas contas públicas.

Com informações de Gazeta do Povo