Brasília — 30 de março de 2026, 13h40. O Palácio do Planalto elevou o tom contra o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, vinculando seu nome ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apontando possível “ingerência externa” nas eleições brasileiras de 2026.
Governo reage a tentativa de visita
A reação ganhou força após Darren Beattie, assessor de Trump, solicitar entrada no Brasil para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Itamaraty barrou o visto, classificando a viagem como risco de influência no pleito nacional. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só liberará o visto quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seus familiares recuperarem autorizações de entrada nos EUA que foram negadas recentemente.
Narrativa de soberania e minerais estratégicos
Lula e dirigentes do PT passaram a exaltar a defesa da soberania ao acusar a oposição de negociar “terras raras” com Washington. Esses minerais, essenciais para a produção de chips e baterias de alta tecnologia, tornaram-se peça central no discurso de que potências estrangeiras pretendem explorar novamente as riquezas latino-americanas.
Efeito Trump nas pesquisas
Levantamento da Quaest apontou efeito dividido do eventual endosso de Trump a Flávio Bolsonaro: 28% dos entrevistados afirmaram que ficariam mais inclinados a votar no senador, enquanto 32% se declararam mais propensos a escolher Lula. O impacto positivo restringe-se, segundo o instituto, ao eleitorado já identificado com a direita; entre independentes e indecisos, o apoio estrangeiro tende a aumentar a rejeição.
Flávio defende eleições “sem interferência”
Em eventos como a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, Flávio Bolsonaro tem dito que o processo eleitoral brasileiro deve ocorrer sem influência internacional. Apesar disso, critica a gestão Biden por suposta intervenção política em 2022 e, ao mesmo tempo, apoia parcerias com os EUA para combater facções criminosas que Washington pretende classificar como organizações terroristas — proposta rejeitada pelo governo Lula.
Com a proximidade do calendário eleitoral, a troca de farpas sobre política externa e recursos estratégicos ganhou contornos de pré-campanha, abrindo nova frente de tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Com informações de Gazeta do Povo