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Espanha bloqueia espaço aéreo para voos militares dos EUA envolvidos no conflito contra o Irã

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Madri, 30 de março de 2026 – O governo da Espanha determinou o fechamento de todo o seu espaço aéreo a aeronaves militares dos Estados Unidos que participem da ofensiva conduzida por Washington e Israel contra o Irã, iniciada há um mês, em 28 de fevereiro.

A decisão, noticiada pelo jornal El País e confirmada ao longo desta segunda-feira (30) por fontes do Ministério da Defesa à agência EFE, também veta o uso das bases conjuntas de Rota e Morón por aviões norte-americanos ou por qualquer aeronave deslocada de outros países europeus envolvida na operação.

Proibição restrita a missões militares

Segundo a gestora de navegação aérea Enaire, a medida não se aplica a voos comerciais; o bloqueio alcança exclusivamente operações de caráter militar ligadas à guerra no Oriente Médio.

Posicionamento do governo espanhol

A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que Washington foi informado “com absoluta clareza” desde o início do conflito de que a Espanha não permitiria o uso de suas instalações nem do seu espaço aéreo para ações bélicas que o Executivo considera “profundamente ilegais e injustas”.

Questionado sobre eventuais impactos diplomáticos, o primeiro-vice-presidente e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, declarou que a iniciativa segue a linha de “não participar nem contribuir” para uma guerra “iniciada unilateralmente e em desacordo com a legalidade internacional”. Ele acrescentou que o governo abrirá escritórios econômicos em Boston e Houston para apoiar empresas espanholas nos Estados Unidos e “aprofundar” as relações bilaterais.

Antecedentes de tensão

O presidente norte-americano, Donald Trump, já havia ameaçado restringir o comércio com a Espanha após Madri negar, logo no início da atual crise, o acesso às bases de Rota e Morón. O relacionamento entre os dois governos também se deteriorou em 2025, quando a Espanha foi o único membro da Otan a recusar o compromisso de aplicar 5% do PIB em defesa até 2035, meta defendida por Trump.

Nos últimos meses, o premiê espanhol Pedro Sánchez adotou várias posições críticas a Israel, entre elas classificar como “genocida” a ofensiva em Gaza, reconhecer oficialmente o Estado palestino e aderir ao processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça.

Até o momento, a Casa Branca não divulgou resposta oficial à restrição imposta por Madri.

Com informações de Gazeta do Povo