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Lula eleva tom contra aproximação Trump-Bolsonaro e coloca soberania no centro da corrida de 2026

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Brasília — 30/03/2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nos últimos dias um discurso nacionalista e crítico aos Estados Unidos, associando o ex-presidente americano Donald Trump ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à direita brasileira. A estratégia, segundo analistas, busca recuperar terreno eleitoral após a imposição de tarifas norte-americanas ao Brasil.

Críticas em série

Em evento em São Paulo e no 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em 21 de março em Bogotá, Lula acusou Washington de cobiçar os “minerais críticos” da América Latina e condenou intervenções americanas na Venezuela, em Cuba e no Irã. “Estão querendo de novo nos explorar”, afirmou.

Aliados reforçaram o tom. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticaram declaração de Flávio Bolsonaro feita na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, em 28 de março, segundo a qual o Brasil poderia negociar terras raras com os EUA. Para Boulos e Gleisi, o senador estaria “entregando as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio”.

Já o ex-ministro José Dirceu retomou a tese de interferência externa nas eleições brasileiras. Em 15 de março, em São Paulo, Dirceu disse que, caso Flávio vença a disputa presidencial, o país “será governado por Trump”.

Flávio nega ingerência externa

Durante a CPAC, Flávio Bolsonaro rejeitou qualquer intervenção estrangeira no processo eleitoral do Brasil. Diante do público norte-americano, defendeu a soberania nacional e criticou o governo de Joe Biden por suposta influência na eleição de 2022, sem detalhar ações.

Visita barrada acirra tensão

A recusa do governo brasileiro em permitir a entrada de Darren Beattie, assessor de Trump, em 13 de março, agravou o atrito bilateral. Beattie planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão e manter contatos políticos. O visto foi revogado após o Itamaraty apontar “ingerência externa” em ano eleitoral. Lula declarou que o assessor não poderá entrar no Brasil enquanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sua família não recuperarem o visto de acesso aos EUA.

Flávio Bolsonaro classificou o episódio como “paranoia” e afirmou que a cooperação com Trump poderia combater o crime organizado e fortalecer parcerias econômicas.

Efeitos eleitorais medidos

Pesquisa Quaest, realizada entre 8 e 11 de março com 2.004 entrevistados e registrada no TSE sob o número BR-02551/2026, indicou que um eventual apoio explícito de Trump faria 28% dos eleitores se sentirem mais inclinados a votar em Flávio. Por outro lado, 32% passariam a preferir Lula. O levantamento sugere que o endosso do ex-presidente americano reforça o candidato da direita entre seus simpatizantes, mas também eleva a rejeição em outros segmentos.

Especialistas ouvidos apontam que gestos indiretos de Washington, como cooperação contra o crime organizado, podem beneficiar a direita. Já declarações públicas de apoio tendem a alimentar o discurso de soberania adotado por Lula.

Com o acirramento do debate, governo e oposição calculam os riscos e benefícios de suas ligações internacionais, enquanto a disputa pela Presidência de 2026 se desenha cada vez mais sob a sombra da política externa norte-americana.

Com informações de Gazeta do Povo