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Flávio Bolsonaro prioriza segurança e costumes para reduzir vantagem do PT no Nordeste

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciou, no fim de semana passado, a primeira agenda pré-eleitoral no Nordeste com visitas a Natal (RN) e João Pessoa (PB). Pré-candidato à Presidência em 2026, o parlamentar aposta em um discurso centrado em segurança pública, valores conservadores e no voto feminino para diminuir a distância que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve na região em 2022.

Foco em lei e ordem

Em Natal, Flávio Bolsonaro disse que a eleição “vai decidir o caminho do Brasil pelos próximos 50 anos” e contrapôs o que chama de “caminho da prosperidade” a governos que, segundo ele, “soltam marginal da cadeia”. O senador defendeu penas mais longas para líderes de facções como PCC e Comando Vermelho e sugeriu classificar essas organizações como terroristas. “Marginais que comandam organizações criminosas têm que ficar mofando na cadeia”, afirmou.

A violência contra a mulher também ganhou espaço no discurso. Flávio prometeu agilidade na prisão de agressores e punições mais duras. “Vocês querem um governo que se preocupe de verdade com as mulheres? Que trabalhe para colocar agressor de mulher no mesmo dia preso?”, questionou.

Olho no eleitorado feminino e no bolso

Para atrair o voto feminino, o senador relacionou segurança a temas econômicos do cotidiano. Ele defendeu redução de impostos e menos burocracia para pequenos empreendedores, destacando custo de vida e geração de emprego.

Em gesto simbólico, Flávio usou camiseta amarela com a frase “Nordeste é solução”, sinalizando tentativa de aproximação com o público regional.

PT manteve folga em 2022

No segundo turno de 2022, Lula obteve 69,34% dos votos válidos no Nordeste, ante 30,66% do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Pesquisadores como Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), veem sinais de desgaste do lulopetismo na região, citando frustração com políticas públicas, custo de vida mais alto e denúncias de corrupção.

Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, afirma que a estratégia de Flávio repete a tática do pai ao tentar reduzir a diferença regional, mesmo sem expectativa de vitória majoritária. Para o cientista, parte dos eleitores esperava que Lula repetisse os resultados de mandatos anteriores, o que não se concretizou até agora.

Palanques reforçados

Dirigentes do PL calculam que a campanha terá estrutura mais robusta do que em 2022. Na Paraíba, o partido filiou o senador Efraim Filho para disputar o governo estadual, com o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga na chapa ao Senado. O deputado Cabo Gilberto Silva, líder da oposição na Câmara, também reforça o palanque local.

No Rio Grande do Norte, base do senador Rogério Marinho, coordenador nacional da campanha, o PL filiou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias para concorrer ao governo, tendo Babá Pereira como vice. A chapa ao Senado inclui o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o Coronel Hélio (PL).

Segurança no centro do debate

O cientista político Paulo Kramer avalia que o discurso de lei e ordem de Flávio dialoga com críticas à condução da segurança em administrações ligadas ao PT no Nordeste. Segundo ele, a “visão permissiva” diante da criminalidade agrava a violência que afeta principalmente as camadas mais pobres.

Com informações de Gazeta do Povo