Uma série de iniciativas que dialogam com o chamado “Socialismo Gen Z” – tendência destacada em editorial recente da revista britânica The Economist – começa a ganhar corpo na política brasileira. O movimento, que busca respostas imediatas para preocupações de jovens nascidos entre 1997 e 2012, aposta em forte intervenção estatal para conter preços, reduzir jornadas de trabalho e ampliar benefícios sociais.
Quem defende
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sinalizado simpatia a parte dessa agenda. Entre os parlamentares, destacam-se Erika Hilton (PSOL-SP), Camila Jara (PT-MS), Sâmia Bomfim (PSOL-RJ), Pedro Uczai (PT-SC) e Tabata Amaral (PSB-SP), que apresentam propostas alinhadas ao conceito.
Principais projetos em tramitação
1. Controle de preços da cesta básica – A deputada Lenir de Assis (PT-PR) protocolou projeto para limitar reajustes de itens essenciais. Ideia semelhante aparece no “Programa Cestão do Povo”, de Leo Prates (PDT-BA), e em duas proposições do PSOL.
2. Fim da escala 6×1 – A Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Erika Hilton propõe abolir o regime de seis dias trabalhados por um de folga. Lula e aliados endossam o debate.
3. Imposto sobre grandes fortunas – Desde 2008 tramitam textos que buscam regulamentar o tributo previsto na Constituição. Em 2024, Pedro Uczai e Tabata Amaral reapresentaram projetos com o mesmo objetivo.
4. Transporte gratuito – O governo estuda criar um “SUS do Transporte” após a aprovação de marco legal que permite tarifa zero subsidiada.
5. Proteção a trabalhadores afetados por IA – Camila Jara propôs em 2023 um Fundo de Renda Básica financiado por empresas que utilizem inteligência artificial em larga escala.
6. Programas sociais recentes – A Lei 14.818/2024, de autoria de Tabata Amaral, instituiu o Pé-de-Meia, poupança para estudantes de baixa renda permanecerem no ensino médio. O programa Gás para Todos também foi ampliado.
7. Moradia subsidiada – Carlos Zarattini (PT-SP) quer incluir locação e arrendamento social no Minha Casa, Minha Vida. Tabata Amaral sugere uso de imóveis públicos ou privados para famílias com renda de até três salários mínimos, com parte do custo bancada pelo Estado.
Pauta internacional influencia o debate local
O “socialismo TikTok”, como foi apelidado, tem referências externas como o prefeito nova-iorquino Zohran Mamdani, o canadense Avi Lewis e o francês Jean-Luc Mélenchon. Embora a maioria não pertença à geração Z, suas propostas – tabelamento de aluguel, tributação de super-ricos e renda básica – atraem jovens que enfrentam alta nos preços de alimentos, moradia e saúde.
Contexto econômico e percepções geracionais
Pesquisadores ouvidos pela reportagem da Gazeta do Povo apontam que, mesmo mais escolarizada, a geração Z percebe dificuldades para comprar imóvel, formar patrimônio ou ter filhos. Em vez de políticas voltadas ao crescimento econômico, parte desse público pressiona por soluções estatais rápidas, ainda que, segundo especialistas, possam gerar efeitos adversos como redução da oferta de bens e aumento de custos trabalhistas.
Com iniciativas já protocoladas e respaldo do Palácio do Planalto, a agenda do “Socialismo Gen Z” entra definitivamente no radar do Congresso Nacional e deve pautar os próximos embates sobre intervenção do Estado na economia.
Com informações de Gazeta do Povo