Brasília — O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou uma rede de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria funcionado como um “banco clandestino” para diversos grupos criminosos. Entre as transações consideradas suspeitas está o repasse de R$ 3 milhões para Paulo Augusto de Araújo Boudens, ex-assessor do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
De acordo com o documento, a estrutura era formada por cerca de 40 empresas e movimentou aproximadamente R$ 39 bilhões. Operadores financeiros já citados em investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) participavam do esquema, que, segundo a comissão, foi usado não só por fraudadores do INSS, mas por outros agentes ilícitos.
A CPMI descreve que a rede realizava sucessivas transferências entre empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos valores. Em seguida, os recursos eram enviados a corretoras de câmbio, operadores financeiros e fintechs que negociavam criptoativos e moedas estrangeiras, permitindo a saída do dinheiro do país.
Empresa Arpar no centro das operações
Uma das companhias destacadas é a Arpar Administração, Participação e Empreendimento S.A., que recebeu R$ 150 milhões de Antônio Camilo, o “Careca do INSS”, apontado como principal articulador do furto a benefícios previdenciários. O relatório afirma que a Arpar integra “diversas camadas” de lavagem de capitais e mantém fluxos financeiros típicos de circularização de valores.
O pagamento de R$ 3 milhões da Arpar a Boudens, sem comprovação de prestação de serviços, levou os parlamentares a solicitarem o indiciamento do ex-assessor. “É premente a necessidade de os órgãos competentes investigarem a motivação de uma empresa de fachada depositar valores milionários para um dos principais assessores de um senador da República”, diz o texto.
Até a noite de 27 de março de 2026, a CPMI ainda não havia votado o parecer final. A reportagem tentou contato com Alcolumbre, Boudens e a Arpar, mas não obteve retorno.
Críticas ao fim dos trabalhos da CPMI
Parlamentares da oposição criticaram a não prorrogação da comissão. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que houve “blindagem” para evitar a convocação de Boudens. Segundo ele, pelo menos quatro pedidos de oitiva do ex-assessor não foram analisados, e o requerimento de quebra de sigilo, apresentado em outubro de 2025, foi rejeitado.
Girão também mencionou tentativas de proteger outros investigados, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e José Ferreira da Silva, o Frei Chico, parentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O relatório agora segue para deliberação dos membros da CPMI, que decidirão se aprovam os pedidos de indiciamento sugeridos.
Com informações de Gazeta do Povo