São Paulo – A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (25) a Operação Fallax para desmontar um esquema que teria desviado mais de R$ 500 milhões em empréstimos bancários usando empresas de fachada ligadas ao Grupo Fictor e a uma célula do Comando Vermelho instalada em Americana, interior paulista.
De acordo com a investigação, iniciada em 2024, ao menos 400 companhias fictícias foram abertas com capital social simulado, atividade genérica e sócios laranjas. Esses CNPJs serviam para obter crédito, principalmente na Caixa Econômica Federal, com o apoio de funcionários do banco.
Como funcionava o golpe
O grupo quitava as primeiras parcelas dos financiamentos para criar histórico positivo e, em seguida, passava a inadimplir de forma deliberada, dificultando a recuperação dos valores. O dinheiro era centralizado em contas controladas pelo líder da célula criminosa em Americana.
Segundo o delegado Henrique Guimarães, responsáveis pelo esquema abriram dezenas de empresas em um único dia utilizando o mesmo comprovante de endereço. Um laranja chegou a constituir 56 firmas.
Papel do Grupo Fictor
Os investigadores apontam que o Grupo Fictor fornecia a infraestrutura financeira e operacional da fraude, simulando movimentações entre suas próprias empresas para aparentar liquidez. Havia pagamento cruzado de boletos e faturamento fictício, práticas que reforçavam a credibilidade das contas e possibilitavam novos empréstimos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o CEO da Fictor e um ex-sócio. A Polícia Federal afirma que o método se assemelha ao utilizado pela gestora Reag com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em esquema de combustíveis descoberto na Operação Carbono Oculto.
Manifestações
Em nota, o Grupo Fictor declarou estar tomando conhecimento dos fatos e prometeu colaborar com as autoridades. A Caixa Econômica Federal informou que mantém cooperação constante com órgãos de segurança e que as investigações nasceram de comunicações enviadas pelo próprio banco.
Com informações de Gazeta do Povo