Brasília, 24 de março de 2026 – A Polícia Federal (PF) incluiu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no inquérito que apura fraudes bilionárias contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os agentes investigam a mudança planejada do filho do presidente para a Espanha, o relacionamento dele com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e suspeitas de triangulação financeira por meio de empresas de fachada.
Viagem para a Espanha sob suspeita
Investigadores levantaram a hipótese de que a transferência de residência de Lulinha para Madri teria como objetivo dificultar o alcance das apurações. A defesa sustenta que a decisão, preparada desde 2024, busca oferecer oportunidades educacionais e profissionais aos filhos e ocorreu antes de a operação ser deflagrada no Brasil.
Relação com o “Careca do INSS”
Lulinha confirma conhecer Antônio Camilo Antunes, alvo central das investigações, mas classifica o contato como “social e esporádico”. A PF analisa uma viagem conjunta feita pelos dois a Portugal, onde avaliaram projeto de produção de canabidiol medicinal. O objetivo é verificar se iniciativas desse tipo serviram para lavar recursos desviados da Previdência Social.
Pagamentos por agências de turismo
Relatórios da PF indicam transferências de Antunes para uma empresária próxima a Lulinha, que depois teria pago despesas em uma agência de viagens. A empresa de turismo emitiu passagens aéreas vinculadas ao cadastro migratório de Fábio Luís, o que, segundo os investigadores, pode caracterizar ocultação de origem de valores.
Empresa de gaveta em Madri
No início de 2026, Lulinha registrou em Madri uma sociedade limitada voltada à área de tecnologia. A corporação, até agora sem atividade declarada, é classificada pela PF como “empresa de gaveta”. A defesa afirma que o procedimento é regular e faz parte dos planos de empreendedorismo do investigado no exterior.
Quebra de sigilos na CPMI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS chegou a aprovar o acesso aos dados bancários e fiscais de Lulinha, mas a medida foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. O magistrado considerou a votação conjunta irregular, ferindo o devido processo legal. Com o encerramento da CPMI previsto para as próximas semanas, o tema pode ficar sem desfecho no Congresso.
A PF prossegue nas diligências para mapear possíveis fluxos financeiros entre o grupo investigado e empresas ligadas a Fábio Luís, além de avaliar o impacto das movimentações internacionais no suposto esquema de fraudes previdenciárias.
Com informações de Gazeta do Povo