Brasília, 23 de março de 2026 – A tentativa de formar a federação “União Progressista”, que reuniria União Brasil e Progressistas (PP), enfrenta forte resistência interna. O deputado Mendonça Filho (União-PE) protocolou na Executiva Nacional um pedido para cancelar o registro da aliança alegando “conflitos e indefinições” em vários estados.
Por que o cancelamento foi solicitado?
Segundo Mendonça Filho, as siglas já demonstram divergências regionais severas antes mesmo da formalização da federação. O parlamentar afirma que a falta de consenso prejudica a montagem das chapas para as eleições de 2026 e ameaça a estabilidade partidária, razão pela qual pede a reavaliação imediata do projeto.
Como funcionaria a federação
Pela legislação, partidos federados atuam como uma única legenda por, no mínimo, quatro anos. Caso União Brasil e PP confirmem o pacto, o bloco somaria 103 deputados federais, 12 senadores e cerca de 1,3 mil prefeitos, tornando-se a maior força política do país. Entre os objetivos declarados estão a centralização de decisões e o acesso a cerca de R$ 900 milhões do fundo eleitoral.
Focos de atrito nos estados
Os impasses se concentram onde as legendas são adversárias locais. Em Pernambuco, há disputa sobre o apoio à governadora Raquel Lyra. Parlamentares também relatam conflitos no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em diversos estados do Nordeste, argumentando que a federação foi articulada em Brasília sem considerar realidades regionais.
Prazo apertado no TSE
O Tribunal Superior Eleitoral julga o registro da federação na quinta-feira, 26 de março. Para ter validade nas eleições gerais, o processo precisa ser aprovado e homologado pela Corte até 4 de abril. A relatoria está com a ministra Estela Aranha, que já recebeu parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.
Risco de saída de parlamentares
Analistas alertam para uma possível “revoada” de deputados caso a federação avance sem consenso. Com a janela partidária se aproximando, PL e Republicanos sondam integrantes insatisfeitos, principalmente do União Brasil, que temem perda de espaço político e de recursos.
O impasse deve ser definido nos próximos dias, quando o TSE dará a palavra final sobre a viabilidade jurídica da União Progressista.
Com informações de Gazeta do Povo