O Brasil encerrou 2025 com 223.912 veículos eletrificados vendidos, avanço de 26% em relação ao ano anterior, enquanto o mercado automotivo geral subiu 2,4%. Os dados são da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).
A entidade projeta que as vendas continuarão aquecidas em 2026, podendo superar 250 mil — em cenários mais otimistas, chegar a 300 mil unidades. Apenas no primeiro bimestre deste ano foram emplacados 48.591 veículos, 90% acima do volume registrado no mesmo período de 2025.
O segmento engloba modelos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex), excluindo micro-híbridos (MHEV). Entre os fatores que impulsionam o interesse pelos eletrificados, o setor cita o conflito no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis fósseis.
Infraestrutura acompanha, mas relação ainda é de 19,6 carros por ponto
Para atender à nova frota, o país conta hoje com 21.061 pontos de recarga públicos e semipúblicos, de acordo com levantamento da Tupi Mobilidade em parceria com a ABVE. Isso representa crescimento de 42% entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.
Mesmo com a expansão, há hoje 19,6 veículos para cada ponto de carregamento; o ideal, segundo o setor, seria manter a proporção de 10 para 1. Os eletropostos ultrarrápidos (corrente contínua) já correspondem a 31% do total, quase o dobro da participação de 16% verificada um ano antes.
“Apesar da ausência de políticas públicas mais robustas, a infraestrutura tem avançado graças à movimentação de novos investidores”, comenta Márcio Severine, conselheiro da ABVE e sócio-diretor da Mobilitas Tecnologia e Energia. Ele acredita que empreendedores que entrarem agora podem obter retorno em poucos anos, antes da eventual consolidação do mercado.
Condomínios instalam carregadores, mas exigem atenção a normas
Além dos postos públicos, cresce a adoção de carregadores particulares, sobretudo em condomínios residenciais. Não há estatísticas consolidadas, mas especialistas alertam para riscos de incêndio e sobrecarga elétrica quando a instalação não segue padrões técnicos.
No dia 16 de março, um incêndio em garagem de condomínio em Teresina (PI) destruiu duas motocicletas e quatro carros — um deles, híbrido plug-in, estava conectado ao carregador. A causa ainda é investigada.
No âmbito regulatório, São Paulo sancionou em fevereiro a Lei 18.403/2026, garantindo a condôminos o direito de instalar pontos individuais de recarga, desde que atendam às normas da ABNT, às exigências da distribuidora local e contem com Anotação ou Registro de Responsabilidade Técnica (ART ou RRT). O Corpo de Bombeiros paulista também atualizou a Instrução Técnica nº 41, que exige botões de desligamento integrados à central de alarme e sinalização de emergência.
“Quando o equipamento atende às normas técnicas e a instalação é feita por profissional capacitado, a recarga é considerada segura”, afirma a capitã Karoline Burunsizian, porta-voz da corporação.
Para Severine, a adoção em condomínios tende a ganhar escala, sobretudo em empreendimentos novos. “O desafio é encontrar modelos que atendam a todos os moradores, possivelmente com sistemas de gerenciamento de carga”, diz.
Com informações de Gazeta do Povo