Brasília, 22 de março de 2026 – O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), deve ser oficializado nos próximos dias como pré-candidato à Presidência da República. A decisão coloca o paranaense na mesma raia de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alterando o cenário inicialmente projetado para 2026, quando o plano era enfrentar diretamente o petista como principal nome da direita.
Na pesquisa Quaest realizada entre 6 e 9 de março, Lula aparece com 37% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro soma 30% e Ratinho Junior registra 7%. O levantamento, encomendado pelo Banco Genial S.A., ouviu 2.004 eleitores, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95% (TSE nº BR-05809/2026).
Sem espaço para reeleição e sem interesse no Senado
No segundo mandato no Palácio Iguaçu, Ratinho Junior não pode se reeleger e já descartou disputar uma cadeira no Senado. A única alternativa no Executivo seria integrar uma chapa como vice, oferta que o governador declinou após convite da equipe de Flávio Bolsonaro. Para concorrer ao Planalto, ele precisa deixar o cargo até 4 de abril.
Estrategia: moderação e eleitor de centro
Ratinho Junior pretende focar nos eleitores que rejeitam a polarização entre PT e bolsonarismo. Ele se define como representante da “direita cidadã” e tenta atrair liberais de centro insatisfeitos. Segundo o cientista político Leandro Consentino, do Insper, esse segmento é limitado, mas pode dar “tração importante” à campanha.
PSD mira visibilidade nacional
Mesmo com chances reduzidas de chegar ao segundo turno, a candidatura fortalece o PSD de Gilberto Kassab, que busca ampliar a bancada na Câmara. A exposição nacional também pode projetar o nome de Ratinho Junior para 2030.
Risco de ficar sem cargo
Eleito pela primeira vez em 2002, Ratinho Junior nunca ficou sem mandato. Caso não avance ao segundo turno, restaria negociar apoio a Flávio Bolsonaro em troca de postos estratégicos em um eventual governo do PL – a diretoria-geral de Itaipu Binacional é citada como possibilidade. Sem acordo, o governador teria de se reposicionar política e eleitoralmente até 2030.
No Paraná, a relação com o PL complicou-se depois que o partido se aproximou de Sergio Moro (União Brasil), que vai se filiar em 24 de março para dar palanque a Flávio no estado e desafiar o candidato apoiado por Ratinho Junior à sucessão estadual.
Com o cronômetro eleitoral em contagem regressiva, o governador pesa o ganho de visibilidade nacional contra o risco de atravessar quatro anos fora de cargos eletivos.
Com informações de Gazeta do Povo