Brasília – 22/03/2026. O senador Flávio Bolsonaro pretende divulgar até o fim de março as linhas gerais de seu programa de governo e, junto com elas, o nome que cuidará da política econômica caso seja eleito. O movimento repete a estratégia usada em 2018 pelo pai, Jair Bolsonaro, quando apresentou Paulo Guedes como fiador das propostas liberais.
Disputa interna define perfil desejado
Nos bastidores, dois grupos se enfrentam. Dirigentes do Partido Liberal (PL) defendem um economista com trânsito fácil no mercado financeiro para reduzir resistências. Já o núcleo mais ideológico do bolsonarismo prefere um aliado fiel ao ex-presidente, mesmo que tenha menor autonomia.
Sachsida ganha força
Entre os nomes discutidos, Adolfo Sachsida desponta como o mais cotado. Ex-ministro de Minas e Energia, doutor em Economia pela UnB e pós-doutor pela Universidade do Alabama, Sachsida é visto como leal ao bolsonarismo. Ele acompanhou Flávio em encontros com investidores em São Paulo, funcionando como elo entre a pré-campanha e o mercado. Procurado, ele não comentou.
Outras opções na mesa
Também foram sondados:
- Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, bem avaliado pela Faria Lima, mas propenso a permanecer na iniciativa privada;
- Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, que inicialmente recusou convite;
- Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG Pactual, cuja participação ainda é considerada incerta;
- Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, em conversas preliminares com assessores de campanha.
Agenda econômica em formulação
Flávio Bolsonaro já sinalizou prioridade para corte de gastos e privatizações, mas evita confirmar nomes enquanto equilibra as pressões internas. No centro financeiro paulista, analistas aguardam detalhes do plano. Segundo Roberto Mantovani, economista-chefe do Banco Votorantim, a expectativa é de uma agenda liberal com foco em ajuste fiscal e venda de estatais, em contraposição ao atual expansionismo fiscal.
Mantovani lembra que a gestão econômica do governo Bolsonaro avançou pouco em reformas estruturais e aumentou despesas no último ano de mandato, fator que gera cautela sobre um eventual governo Flávio. Para o mercado, a credibilidade do futuro ministro será determinante na precificação de câmbio, juros e bolsa durante a campanha.
Com todas as opções ainda abertas, aliados do senador afirmam que a decisão final está “na cabeça do Flávio” e deve ser anunciada junto com as diretrizes do programa de governo nos próximos dias.
Com informações de Gazeta do Povo