Uma entrevista concedida em 20 de março de 2026 à Gazeta do Povo revela a trajetória de Bahar Rad – nome fictício usado por razões de segurança –, cristã que deixou o Irã há 13 anos depois de sucessivas ameaças e da prisão do pai por atividades religiosas.
O Irã ocupa a 10ª posição na Lista Mundial de Perseguição divulgada pela ONG Portas Abertas, que classifica o nível de repressão aos cristãos como extremo. Lá, embora o cristianismo seja reconhecido como religião minoritária, a conversão de muçulmanos pode levar a tortura, cárcere e morte.
Primeiros passos de fé e resistência familiar
A história de Rad começou na adolescência, quando o pai se converteu ao cristianismo após assistir a um programa em persa transmitido por satélite. A mudança provocou reação imediata de familiares muçulmanos, descritos por ela como “muito devotos”, que passaram a telefonar para intimidar e exigir o retorno da família ao islamismo.
Encontros secretos em igrejas domésticas
Para participar de cultos, o pai passou a frequentar igrejas domésticas, reuniões cristãs realizadas em locais sigilosos. Rad recorda o temor constante de ser descoberta: “O sussurro dos cânticos era lindo, mas o medo estava sempre presente”.
Prisão de 13 meses e ameaça de execução
O cenário se agravou quando um informante do governo infiltrado em um desses encontros gravou o pai ensinando a Bíblia. Detido, ele passou 13 meses entre salas de interrogatório e celas, submetido a pressão psicológica e agressões físicas. Na libertação, agentes advertiram que, caso continuasse as atividades religiosas, a próxima punição seria a execução.
Vigilância e fuga para país vizinho
Após a soltura, a família passou a sofrer monitoramento sistemático. Chamadas de números desconhecidos descreviam com precisão locais que haviam visitado, evidenciando a vigilância estatal. Temendo nova detenção, o núcleo familiar abandonou o Irã e buscou refúgio em um país vizinho.
Rad relata dificuldades típicas do exílio: direitos restritos, acesso limitado a trabalho, educação e saúde, além do receio permanente de deportação. Ela afirma que o regime iraniano continua rastreando cristãos mesmo fora de suas fronteiras.
Esperança em mudanças políticas
Porta-voz da Portas Abertas, Rad acredita que uma transição de governo poderia garantir liberdade religiosa: “Há mais de quatro décadas, cristãos vivem sem reconhecimento legal. Sonhamos com um Irã onde todas as minorias tenham dignidade e proteção”.
Apesar de crises econômicas, conflitos e cortes de internet, ela observa que muitos cidadãos preferem permanecer no país, sinalizando, segundo seu relato, que a esperança de transformação ainda resiste.
Com informações de Gazeta do Povo