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Trump chama aliados de “covardes” ao pressionar Otan para entrar em guerra contra o Irã

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a cobrar publicamente os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por apoio à operação militar americana contra o Irã. Em mensagem divulgada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, o republicano classificou a aliança como “um tigre de papel” sem a participação norte-americana e chamou os aliados de “covardes” por recusarem ação armada para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito.

Trump argumenta que a manobra naval para desobstruir a principal rota do petróleo no Oriente Médio seria “tão fácil, com tão pouco risco” e que resolveria a disparada nos preços do combustível provocada pela guerra. A pressão já havia sido feita três dias antes, em 17 de março, quando Alemanha, França e Reino Unido rejeitaram integrar a coalizão proposta por Washington.

Debate interno na Otan

Apesar da recusa em aderir diretamente à ofensiva, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou em 18 de março que os membros discutem “a melhor forma” de restabelecer a navegação em Ormuz. Segundo ele, há consenso sobre a necessidade de garantir o fluxo comercial, mas não há decisão sobre emprego de força militar.

No dia 19, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda, Canadá e o parceiro estratégico Japão divulgaram nota conjunta condenando os ataques iranianos a embarcações civis e o fechamento “de fato” do estreito. O texto promete “esforços apropriados” para assegurar a passagem, sem detalhar se isso inclui navios de guerra ou tropas.

Sem base para defesa coletiva

Para o professor Adriano Gianturco, do Ibmec Belo Horizonte, os principais integrantes europeus não veem a campanha dos EUA como situação de defesa coletiva prevista pelo Artigo 5 da Otan, acionado apenas quando um aliado é atacado diretamente. Além da questão jurídica, Gianturco destaca o cálculo de risco: uma intervenção ampliaria os custos políticos, militares e econômicos, avaliação que pesaria pela não participação.

A disposição de ficar de fora ficou evidente mesmo após Chipre — membro da União Europeia — sofrer incursões de drones iranianos e, dias depois, Turquia — integrante da Otan — ter seu espaço aéreo violado. Nenhum dos episódios foi utilizado para convocar reação conjunta.

Temor de guerra marítima prolongada

O estrategista Cezar Roedel avalia que uma operação no Estreito de Ormuz poderia se transformar em conflito naval longo e caro. Também pesa, segundo ele, o fato de Trump não ter consultado previamente os aliados antes de lançar ataques contra o Irã.

Precedente após o 11 de Setembro

A resistência contrasta com 2001, quando, horas depois dos atentados de 11 de Setembro, a Otan invocou pela primeira vez o Artigo 5 para apoiar os Estados Unidos. A decisão levou forças europeias e canadenses ao Afeganistão, marcando a estreia da aliança em operação fora do eixo euro-atlântico.

Até o momento, contudo, as capitais europeias mantêm a posição de não envolver diretamente suas Forças Armadas na guerra que opõe Washington e Teerã.

Com informações de Gazeta do Povo