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Negociação de delação de ex-banqueiro abala bastidores do Supremo

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Brasília, 20 de março de 2026. A abertura de tratativas para um acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro movimenta os corredores do Supremo Tribunal Federal (STF). Contatos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, encontrados no celular do investigado, acenderam o alerta sobre a possibilidade de surgirem novos relatos envolvendo integrantes da Corte.

Quem é o delator em potencial

Daniel Vorcaro, ex-controlador de instituições financeiras, estava preso na capital federal e foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal, onde firmou um acordo de confidencialidade – primeiro passo para selar a colaboração com a Justiça. Ele é investigado sob a suspeita de ter buscado proteção no Judiciário por meio de operações financeiras de alto valor.

Citações a ministros do STF

Mensagens apreendidas indicam supostos encontros e negócios envolvendo, direta ou indiretamente, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No caso de Toffoli, a suspeita recai sobre a compra de parte de um resort; em relação a Moraes, sobre a contratação do escritório de advocacia de sua esposa. As defesas de ambos afirmam que as interações foram estritamente legais e de caráter pessoal ou comercial.

Estratégias para barrar a colaboração

Nos bastidores, magistrados avaliam recorrer a precedentes para anular a delação. Em 2021, o STF invalidou o acordo do ex-governador Sérgio Cabral após menções a Toffoli, concluindo que a Polícia Federal não pode apurar autoridades com foro privilegiado sem autorização prévia do Tribunal. A decisão também fixou que a oposição da Procuradoria-Geral da República (PGR) fragiliza acordos fechados apenas com a PF.

Papel da Procuradoria-Geral da República

Para que um ministro seja oficialmente investigado, um pedido deve partir da PGR, atualmente chefiada por Paulo Gonet, visto por integrantes da Corte como aliado. A expectativa é que o órgão se posicione contra investigações baseadas exclusivamente em relatos de colaboradores, seguindo a jurisprudência que exige provas externas consistentes.

Possível caminho de Vorcaro

Especialistas avaliam que Vorcaro pode optar por não implicar os ministros, alegando que suas relações com eles foram lícitas. O delator é obrigado a relatar todos os crimes de que tem conhecimento, mas pode sustentar que não houve irregularidades, evitando confronto direto com o Supremo, responsável por chancelar ou rejeitar os benefícios previstos no acordo.

As negociações seguem em sigilo, e qualquer avanço dependerá da análise do STF e da manifestação da PGR.

Com informações de Gazeta do Povo