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Países recorrem a subsídios, reservas estratégicas e controle de preços diante da disparada do petróleo

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Governos de todos os continentes adotam medidas emergenciais para atenuar o impacto da forte alta do petróleo, que chegou a US$ 119 o barril Brent na manhã de 19 de março de 2026, antes de recuar para US$ 108 no fim do dia. A escalada, provocada por ataques de Israel e Irã a infraestruturas de energia no Oriente Médio, pressiona inflação, abastecimento e atividade econômica.

Brasil corta tributos e oferece subvenção

No Brasil, o governo Lula zerou a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel e criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. O Planalto também promete fiscalizar postos contra “aumentos abusivos” e pressiona estados a zerar o ICMS na importação do combustível, enquanto enfrenta ameaça de greve de caminhoneiros.

América do Sul debate subsídios e limites

Na Argentina, os combustíveis já subiram cerca de 13%, e refinadoras vendem abaixo do custo para evitar reajustes maiores. O presidente Javier Milei, porém, mantém a política de não intervir nos preços, apostando em ganho com exportações de energia e commodities.

O Chile usa o Mecanismo de Estabilização de Preços dos Combustíveis (Mepco) para suavizar repasses. Sem o instrumento, a gasolina poderia ter subido mais de 100 pesos por litro (cerca de R$ 0,60). O governo José Antonio Kast discute ajustes para reduzir o custo fiscal.

No Equador, a gasolina alcançou US$ 2,89 (R$ 15) o galão. Reajustes continuam limitados a 5% ao mês, mas a tendência é de altas graduais se o petróleo seguir caro.

No Peru, o galão de gasolina em Lima varia entre 18 e 21 soles (R$ 27 a R$ 31), ante 15 a 16 soles antes da crise. O governo apenas monitora a evolução dos preços.

O Uruguai ainda não registrou aumento expressivo; a gasolina custa cerca de US$ 2,08 (R$ 10,80) o litro, metade do valor composto por impostos, o que amplia o risco de reajustes futuros.

EUA avaliam liberar reservas e afrouxar sanções

Nos Estados Unidos, a gasolina média chegou a US$ 3,88 (R$ 20,20) por galão e o diesel a US$ 5 (R$ 26). O governo Donald Trump discute liberar parte da reserva estratégica e até flexibilizar restrições ao petróleo iraniano. Sanções sobre carregamentos russos já embarcados foram suspensas temporariamente.

No Canadá, o preço da gasolina saltou cerca de 30% desde o início do conflito. Ottawa avalia cortes de impostos para aliviar o consumidor, apesar de o país ser exportador de petróleo.

Ásia sente o choque mais forte

Dependentes do petróleo do Oriente Médio, países asiáticos adotam desde cortes de jornada até uso de reservas:

  • Filipinas: redução da semana de trabalho para quatro dias e racionamento de energia em prédios públicos.
  • China: proibição de exportação de combustíveis refinados, reforço do abastecimento interno e possibilidade de recorrer a reservas estimadas em 1,4 bilhão de barris. O país mantém importações de petróleo iraniano.
  • Japão: preço da gasolina subiu quase 18% em uma semana; governo retomou subsídios e começou a liberar parte dos 80 milhões de barris estocados.
  • Vietnã: estímulo ao trabalho remoto e uso de fundos de estabilização para segurar preços.
  • Tailândia: congelamento temporário do diesel e campanha para reduzir uso de ar-condicionado e elevadores.
  • Índia: subsídios cobrem mais da metade da alta nos combustíveis; ainda assim há reflexo nos alimentos.
  • Paquistão: aumento de 20% na gasolina, cortes de 50% no consumo de frota oficial e incentivo ao teletrabalho; reservas internas cobrem apenas 28 dias.
  • Bangladesh: universidades fechadas e instalações de combustível sob controle militar para garantir fornecimento.
  • Sri Lanka: racionamento semanal de combustível, limitado a 15 litros por carro, 5 litros por moto e 60 litros para transporte público.
  • Coreia do Sul: estuda teto temporário para preços, uso de reservas estratégicas e novos subsídios.

Europa adota investigações e tetos de preço

Na União Europeia, a gasolina ficou em média 8% mais cara desde o início do conflito. Destaques:

  • Alemanha: litro saltou de 1,82 para 2,07 euros (R$ 11 a R$ 12); governo pode limitar reajustes a uma vez por dia.
  • Áustria: aumentos em postos agora só podem ocorrer três vezes por semana.
  • Espanha: diesel acumula alta de 29% e gasolina de 16%.
  • Holanda e Dinamarca: preços acima de 2,20 euros (R$ 13) por litro, entre os mais altos do bloco.

No Reino Unido, o diesel subiu 20% e a gasolina 7%. O governo pressiona distribuidoras, investiga possíveis abusos e amplia subsídios a famílias vulneráveis.

A Hungria fixou teto para gasolina de veículos com placa local, tentando evitar “turismo de combustível”. Já líderes da UE discutem instrumentos financeiros para apoiar famílias e empresas e conter a escalada da energia.

Analistas alertam que, se a passagem pelo Estreito de Ormuz continuar restrita, a atual crise de preços pode transformar-se em crise de oferta, agravando os riscos econômicos globais.

Com informações de Gazeta do Povo