O pastor Rolando Pérez Lora foi detido em 15 de março de 2026 na província de Matanzas, Cuba, depois de conduzir uma transmissão ao vivo no YouTube onde pregou sobre amor e esperança. A ação policial ocorreu enquanto o líder religioso se dirigia à igreja, poucos metros após sair de casa, onde agentes já o aguardavam.
A prisão aconteceu diante dos filhos do pastor. Mantido sob custódia por várias horas, Pérez Lora foi liberado no mesmo dia sem que as autoridades apresentassem qualquer acusação formal ou explicação para a detenção.
Imagens do momento da abordagem se espalharam pelas redes sociais, provocando repercussão dentro e fora do país. Comunidades evangélicas e organizações de direitos humanos divulgaram mensagens de apoio e cobraram explicações do governo cubano.
Repressão a líderes cristãos
Casos como o de Rolando Pérez Lora reforçam relatos de crescente pressão sobre igrejas independentes e pastores que utilizam plataformas digitais para divulgar o Evangelho. O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) registrou 231 ações repressivas contra líderes religiosos apenas em fevereiro de 2026. Ao longo de 2024, a Aliança dos Cristãos de Cuba contabilizou 996 episódios de repressão contra cristãos.
Perfil da fé cristã na ilha
Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% da população cubana se declara cristã, sendo a maioria católica e aproximadamente 11% evangélica. Embora a participação em cultos seja permitida, a abertura de novos templos encontra obstáculos, levando muitos fiéis a se reunirem em igrejas domésticas.
Estimativas da ASCE Cuba indicam entre 20 mil e 30 mil desses grupos funcionando em residências particulares, frequentemente sem registro oficial e sujeitos a intervenções estatais. O cenário coloca Cuba na 24ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela Missão Portas Abertas.
Com informações de Folha Gospel