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Radar revela cadeias de montanhas e cânions sob 4 km de gelo na Antártida

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Um novo mapeamento subglacial detalhou, pela primeira vez, a geografia escondida sob a espessa camada de gelo da Antártida, que em alguns pontos ultrapassa 4 quilômetros de profundidade. O trabalho, publicado na revista Science em 12 de março de 2026, reuniu décadas de dados de sensoriamento remoto e foi liderado pelo glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Montanhas inteiras e cânions profundos

As medições revelam cadeias montanhosas completas, planaltos e depressões extensas, além de cânions que direcionam o fluxo das geleiras rumo ao oceano. Segundo os pesquisadores, a configuração do terreno é comparável a grandes sistemas montanhosos visíveis em outras partes do planeta, mas permanece oculta pela gigantesca camada de gelo.

Importância para o nível do mar

Bingham enfatiza que conhecer o formato do leito rochoso é essencial para prever a velocidade com que o gelo antártico pode se deslocar e derreter. “O contorno do leito controla o atrito que age contra o fluxo de gelo; essa informação precisa entrar nos modelos numéricos usados para projetar a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar”, afirmou em entrevista à Reuters.

Como o mapa foi construído

O avanço só foi possível graças ao uso de radar aerotransportado e satelital. Ondas de rádio atravessam o gelo, refletem na rocha e retornam aos sensores; o intervalo de tempo entre emissão e retorno permite calcular a espessura do gelo e o relevo do fundo. Equipes internacionais compilaram registros obtidos ao longo de décadas por voos científicos e missões espaciais.

Duncan Young, glaciologista da Universidade do Texas em Austin, comparou o resultado a “levantar um edredom” para espiar o que está por baixo, destacando que ainda há áreas a serem detalhadas.

Clima, pesquisa e próximos passos

Com o novo mapa, cientistas poderão refinar projeções sobre como a topografia influencia o derretimento e o deslizamento das geleiras, fator decisivo para estimar futuros cenários de aumento do nível dos oceanos. O modelo também orientará perfurações, instalação de sensores e estudos de lagos subglaciais, além de ajudar oceanógrafos a entender a circulação de correntes frias ao redor do continente.

Apesar do avanço, pesquisadores ressaltam que ainda existem regiões carentes de medições diretas. Bingham afirma que o levantamento aponta exatamente onde esforços de campo mais detalhados são necessários e onde os dados já são suficientes.

Com informações de Gazeta do Povo