Brasília — Prestes a sair do Ministério da Fazenda para concorrer ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirma ter cumprido sua missão, mas deixa para o sucessor uma dívida pública em trajetória de crescimento, elevação da carga tributária e dificuldades no controle dos gastos federais.
Dívida avança de 71,7% para 79% do PIB
Quando Haddad assumiu a pasta, em janeiro de 2023, a dívida bruta correspondia a 71,7% do Produto Interno Bruto. Dados atuais indicam salto para 79%, e projeções do mercado financeiro apontam que o indicador pode alcançar quase 85% até o fim de 2026. O avanço sinaliza que as despesas superaram a arrecadação mesmo após o aumento de tributos, gerando dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas.
Estrategia arrecadatória: fim de isenções e novas tributações
Para reforçar o caixa, o ministro eliminou desonerações sobre combustíveis e instituiu regras que taxam fundos exclusivos de investimento e rendimentos de empresas mantidas no exterior (offshores). A ofensiva rendeu ao titular da Fazenda o apelido de “Taxad” nas redes sociais, em referência à opção de equilibrar o orçamento pelo lado das receitas sem cortes expressivos de gastos.
Arcabouço fiscal sob questionamento
O novo arcabouço fiscal, criado para substituir o antigo teto de gastos, é apresentado pelo governo como mecanismo de disciplina orçamentária. Especialistas, porém, afirmam que o cumprimento das metas só foi possível com manobras contábeis, como a exclusão de desembolsos emergenciais para o Rio Grande do Sul. Na prática, o déficit real teria sido maior que o divulgado oficialmente.
Desgastes políticos marcaram a gestão
Haddad enfrentou resistências no Congresso e na opinião pública. Entre os episódios de maior desgaste estão a discussão sobre eventual taxação do Pix, o impasse em torno da reoneração da folha de pagamentos e o anúncio simultâneo de cortes de despesas e de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
Reformas aprovadas são ponto positivo
Apesar das críticas, economistas reconhecem avanços em mudanças estruturais concluídas na gestão. A Reforma Tributária sobre o consumo, que simplifica a cobrança de impostos, e o Marco Legal das Garantias, destinado a ampliar o acesso ao crédito, vinham sendo discutidos havia anos e foram aprovados durante a permanência de Haddad na Fazenda.
Com a saída do ministro, o próximo ocupante da pasta enfrentará o desafio de conter a trajetória da dívida, equilibrar receitas e despesas e preservar os ganhos obtidos nas reformas estruturais.
Com informações de Gazeta do Povo