Brasília — A detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, na quinta-feira, 5 de março de 2026, espalhou clima de tensão no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Mensagens extraídas do celular do executivo, no âmbito da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), indicam contatos frequentes com autoridades dos três Poderes e reacenderam o movimento para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre supostas fraudes bilionárias.
Conversas citam Lula, Moraes e lideranças do Legislativo
Os diálogos analisados pela PF mencionam um encontro extraoficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros no Planalto em 2024, além de um jantar com o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara. Vorcaro também se referia ao senador Ciro Nogueira como “amigo de vida”. Embora a corporação ressalte que citações em mensagens não configuram prova de delito, o conteúdo fortaleceu a oposição, que cobra investigações parlamentares mais amplas.
Mudança de relator no STF dá novo ritmo ao inquérito
O processo que envolve o banqueiro deixou o gabinete do ministro Dias Toffoli e foi redistribuído ao ministro André Mendonça, após relatórios da PF mencionarem o nome de Toffoli. Para evitar questionamentos sobre eventual impedimento, o magistrado solicitou a troca. Sob Mendonça, foram autorizadas medidas mais severas, aumentando a apreensão entre parlamentares citados nas conversas.
Temor de delação premiada
Senadores como Jorge Kajuru e Eduardo Girão avaliam que uma possível colaboração premiada de Vorcaro poderia “derrubar meia República”. O executivo teria dados sobre operações financeiras envolvendo prefeitos e políticos de diversas siglas que recorreram ao Banco Master.
CPI do Banco Master enfrenta resistência
Líderes do Centrão e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitem nos bastidores que a comissão poderia atingir “meio mundo” político. Relatos apontam articulação para barrar o colegiado com base em argumentos regimentais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é citado como um dos principais obstáculos, sobretudo depois de operações da PF contra aliados dele no Amapá por investimentos previdenciários ligados ao banco de Vorcaro.
Até o momento, nem o Planalto nem o Supremo Tribunal Federal comentaram oficialmente o conteúdo das mensagens atribuídas ao banqueiro. A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e trabalha para revogar a prisão.
Com informações de Gazeta do Povo