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PF aponta esquema de Vorcaro para remover reportagens negativas sobre o Banco Master

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A Polícia Federal (PF) identificou que o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, mantinha uma estrutura dedicada a retirar da internet conteúdos críticos à instituição. O dado consta da decisão de prisão preventiva assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornada pública nesta quinta-feira (5).

Documentos falsos para plataformas digitais

De acordo com relatório da PF, Felipe Mourão — que tentou suicídio na prisão e entrou em protocolo de morte cerebral — era o responsável por produzir ofícios falsificados em nome de órgãos públicos. Os papéis eram enviados a plataformas como forma de solicitar remoção de publicações ou suspensão de perfis que divulgassem notícias desfavoráveis a Vorcaro.

Segundo Mendonça, Mourão “utilizava expedientes que simulavam solicitações oficiais” para acessar canais internos das empresas de tecnologia, obter dados de usuários e eliminar conteúdos classificados como prejudiciais aos interesses do grupo.

Menção ao inquérito das fake news

Mensagens apreendidas mostram Vorcaro discutindo, em outubro de 2024, a possível inclusão do portal Diário do Centro do Mundo (DCM) no inquérito das fake news conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. “Vou fechar esse site”, escreveu o empresário a Mourão, após negociação frustrada para evitar reportagens negativas. O STF não respondeu se houve pedido de Vorcaro para investigar o DCM.

O veículo afirmou, em nota, que não recebeu pagamentos ou benefícios de pessoas investigadas e que não mantém relação com os fatos apurados.

Estrutura de vigilância e intimidação

A PF classifica as ações de censura dentro do “núcleo de intimidação e obstrução de justiça” ligado a Vorcaro. O grupo, apelidado de A Turma, teria orçamento aproximado de R$ 1 milhão mensais para monitorar adversários, jornalistas e autoridades. Conversas mostram planejamento de agressões, inclusive contra o colunista Lauro Jardim, de O Globo, e coleta de informações pessoais de ex-funcionários.

O jornal O Globo repudiou as ameaças e classificou a tentativa de calar a imprensa como “ataque ao pilar fundamental da democracia”.

Defesas

A equipe jurídica de Vorcaro negou todas as acusações, afirmou que o empresário colabora com as autoridades e alegou que mensagens foram tiradas de contexto. Em comunicado posterior, o banqueiro disse não ter intenção de ameaçar jornalistas e que eventuais declarações exaltadas ocorreram em caráter privado.

Com informações de Gazeta do Povo