Brasília — O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, informou nesta terça-feira (3) que a instituição pretende conservar a maior parte dos R$ 21,9 bilhões em ativos adquiridos do Banco Master até que o valor de mercado se recupere. Segundo o executivo, a carteira é majoritariamente composta por títulos considerados saudáveis.
“Não vamos vender muito abaixo da cotação ou do valor de face. Estamos aguardando o momento certo”, declarou Nelson em entrevista ao Correio Braziliense. Ele comparou o portfólio a um conjunto com “osso e carne”, indicando que há papéis de diferentes qualidades.
Opções para reforçar capital
Entre as alternativas avaliadas para obter recursos, o dirigente citou a transferência de imóveis para um fundo imobiliário, seguida da venda de cotas. Nesse modelo, as participações de maior risco permaneceriam com o BRB, enquanto as frações mais valiosas seriam oferecidas a investidores qualificados, como bancos já consolidados no sistema financeiro.
Além dos ativos do Master, o banco público possui aplicações em 19 fundos de investimento — dois deles no exterior — e operações de crédito com sua própria clientela.
Impacto das perdas e investigações
A Câmara Legislativa do Distrito Federal discute medidas para reequilibrar o BRB, que enfrenta um déficit de cerca de R$ 8 bilhões em operações ligadas ao Banco Master. As investigações da Operação Compliance Zero, conduzidas pela Polícia Federal, apontam que R$ 12,2 bilhões aportados pelo BRB no Master, entre 2024 e 2025, apresentam indícios de fraude.
Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência após o afastamento judicial de Paulo Henrique Costa e herdou o desafio de recompor as contas da instituição.
Com informações de Gazeta do Povo