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Irã intensifica ataques com drones e ameaça bloquear Estreito de Ormuz para minar EUA e aliados

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Pelo quarto dia seguido, aviões dos Estados Unidos e de Israel bombardearam posições estratégicas no Irã, incluindo a capital Teerã. A ofensiva mira centros militares do regime dos aiatolás, enquanto Teerã responde ampliando o teatro de operações na região do Golfo.

A estratégia iraniana combina lançamentos maciços de drones de baixo custo contra países vizinhos que abrigam bases americanas e uma forte pressão econômica, com a ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo de petróleo do planeta.

Ataques se espalham pelo Golfo

Nas últimas horas, a Guarda Revolucionária informou ter disparado novos projéteis contra uma base dos EUA no Bahrein. A Arábia Saudita relatou que dois drones atingiram sua embaixada, enquanto um artefato explodiu próximo ao consulado americano em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Teerã não assumiu publicamente esses ataques.

Além de Israel, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Jordânia e Omã foram alvos da artilharia iraniana desde o início da escalada. Instalações civis, como aeroportos, hotéis e uma usina de gás natural, também foram atingidas, deixando mais de dez mortos.

Guerra de desgaste

Para o professor de Relações Internacionais Eduardo Galvão, do Ibmec Brasília, o Irã tenta “aumentar o custo do conflito” para Washington e Tel-Aviv. “Ao lançar enxames de drones e acionar aliados como o Hezbollah, obriga o adversário a usar interceptadores caros e a manter sistemas defensivos em operação contínua”, afirmou.

A agência estatal Fars divulgou vídeo de uma “frota” de veículos aéreos não tripulados e mísseis instalados em lançadores, reforçando a propaganda do arsenal local. O Soufan Center, instituição de pesquisa em segurança sediada em Nova York, ressalta que o baixo custo desses equipamentos pode esgotar os estoques antiaéreos de EUA e parceiros.

Entretanto, José Niemeyer, do Ibmec Rio, alerta que o cálculo iraniano pode falhar e fortalecer rivais regionais, sobretudo a Arábia Saudita, que disputa liderança no Oriente Médio.

Pressão no petróleo

Na frente econômica, o assessor da Guarda Revolucionária Ebrahim Jabari avisou que qualquer navio que tentar atravessar o Estreito de Ormuz será incendiado. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo passa por esse gargalo.

O barril do Brent subiu 7%, para US$ 83, e analistas veem possibilidade de atingir US$ 100. “O encarecimento do petróleo pressiona a inflação global e chega ao consumidor final nos combustíveis”, explicou o economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais. Países do Golfo até recorrem a oleodutos, mas a capacidade é limitada em comparação ao transporte marítimo.

O Soufan Center aponta que Israel já sente o impacto do conflito, com aeroportos fechados, voos suspensos e fortes restrições à vida civil. Para a professora Natali Hoff, da PUCPR, a volatilidade no mercado de energia busca atingir diretamente o presidente americano Donald Trump, sensível aos reflexos econômicos internos.

Sem sinal de recuo de nenhuma das partes, a combinação de ataques pontuais e choque nos mercados indica que a aposta iraniana é prolongar o desgaste militar e financeiro de seus adversários.

Com informações de Gazeta do Povo