O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou na manhã desta segunda-feira (2) que o Brasil precisa se preparar para eventuais consequências do confronto que reúne Irã, Estados Unidos e Israel desde o fim de semana.
Em entrevista à GloboNews, Amorim classificou a execução do líder iraniano como “condenável e inaceitável” e advertiu para um possível agravamento da crise. “Devemos nos preparar para o pior”, declarou o ex-chanceler.
Risco de expansão regional
Ao comentar cenários mais críticos, Amorim mencionou a chance de o conflito atingir outros países do Oriente Médio. Bombardeios iranianos já atingiram bases norte-americanas e alvos civis em Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, lembrou o diplomata.
Visita de Lula a Trump pode ser afetada
O conselheiro disse ainda que a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos Estados Unidos, prevista para este mês com o presidente Donald Trump, pode sofrer alterações diante do quadro de instabilidade. “É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência”, observou.
Articulação no Palácio do Planalto
Amorim informou que pretendia se reunir com Lula ainda nesta segunda-feira para alinhar um posicionamento oficial. Segundo ele, o tema não havia sido tratado de forma aprofundada no governo até então.
Posicionamento do Itamaraty
No fim de semana, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota pedindo a interrupção imediata das ações militares na região do Golfo, classificando o quadro como “grave ameaça à paz internacional”. O comunicado evitou citar nominalmente os países envolvidos.
Ofensiva e retaliação
No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea contra instalações estratégicas no Irã, alegando conter o programa nuclear de Teerã. O ataque resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei e de altos oficiais iranianos. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra alvos ligados aos dois países.
Amorim reiterou que “ninguém é juiz do mundo” e defendeu a manutenção do diálogo como forma de evitar um desdobramento ainda mais amplo do conflito.
Com informações de Gazeta do Povo