O Comitê Seleto sobre a China, da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, divulgou em 27 de fevereiro de 2026 um relatório que investiga como a China emprega instalações na América Latina para ampliar suas capacidades espaciais e de coleta de informações. O documento aponta o Brasil entre os países que abrigam estruturas ligadas a Pequim.
Onze bases identificadas
Segundo o comitê, foram mapeadas pelo menos 11 estações ou telescópios operados pela China em solo latino-americano. Essas unidades estariam distribuídas em Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil, e serviriam a fins civis e militares do Exército de Libertação Popular (PLA).
Preocupação de parlamentares norte-americanos
O presidente do colegiado, deputado republicano John Moolenaar, afirmou que os Estados Unidos e aliados “devem impedir a expansão” dessa infraestrutura. Ele recordou que o ex-presidente Donald Trump “agiu de forma decisiva” contra a influência chinesa no hemisfério ocidental e defendeu a adoção das recomendações presentes no relatório.
Propostas do relatório
Entre as sugestões estão:
- firmar novos acordos, via NASA, com países que mantêm bases chinesas;
- reavaliar parcerias em defesa, tecnologia avançada e exploração espacial;
- buscar a retirada da influência de Pequim em nações da região.
Instalações sob escrutínio no Brasil
O relatório destaca duas iniciativas:
• Estação Terrestre Tucano – fruto de um acordo de 2020, a base é operada em regime de joint venture pela startup brasileira Ayla Nanosatellites, sediada na Bahia, e pela empresa chinesa Beijing Tianlyan Space Technology. A localização exata não foi divulgada no documento.
• Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil – criado em 2025 após parceria entre o Instituto de Pesquisa em Comunicação da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e as universidades federais de Campina Grande (UFCG) e da Paraíba (UFPB). O texto descreve a iniciativa como um acordo para pesquisa em radioastronomia, observação de espaço profundo e planejamento de projetos científicos de grande escala.
Próximos passos
O comitê não fixou prazos para a adoção das medidas recomendadas, mas reforçou que Washington deve agir “com rapidez” para conter o que considera avanço estratégico de Pequim na região.
Com informações de Gazeta do Povo