Brasília – Levantamento nacional da AtlasIntel, divulgado nesta sexta-feira (27), mostra que a maior parte dos trabalhadores discorda das restrições impostas pelo governo federal à antecipação do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
De acordo com a pesquisa, 90% dos entrevistados que já recorreram à antecipação são contrários ao fim da modalidade. Entre todos que conhecem o mecanismo, 70% classificam as novas regras como prejudiciais.
O que mudou
As exigências passaram a valer em novembro de 2025:
- carência de 90 dias entre a adesão ao saque-aniversário e a primeira operação de antecipação;
- limite de até cinco antecipações no período de novembro de 2025 a outubro de 2026;
- a partir de novembro de 2026, teto reduzido para três parcelas por ano, com valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 cada.
Destino do dinheiro
O estudo revela que o crédito é usado principalmente para emergências:
- Pagamento de dívidas urgentes – 69,6%;
- Despesas médicas e compra de remédios – 28,1%;
- Compra de alimentos e itens básicos – 7,1%.
Nenhum participante declarou empregar o recurso em apostas on-line.
Percepção das regras
Entre os usuários do saque-aniversário:
- 80% dizem que o limite de uma operação anual compromete o planejamento financeiro;
- 84% discordam do teto de R$ 500 por parcela;
- 51,3% veem negativamente a carência de três meses antes da liberação do crédito.
Frequência de uso
O levantamento aponta que 35,6% recorreram à antecipação entre uma e duas vezes; 22,5% de três a quatro vezes; 29,7% de cinco a dez vezes; e 9,3% mais de dez vezes.
Setor financeiro critica mudanças
As entidades que encomendaram a pesquisa – Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e Zetta, que representa grandes fintechs – afirmam que as medidas elevam o custo do crédito para a população de baixa renda. Segundo o Ministério do Trabalho, operações de alienação do FGTS movimentaram R$ 236 bilhões entre 2020 e 2025.
Metodologia
O estudo entrevistou 4.243 pessoas em novembro de 2025, por meio do método Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Com informações de Gazeta do Povo