Washington, 26 fev. 2026 – A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) abriu, pelas redes sociais, uma campanha voltada a cidadãos iranianos dispostos a fornecer dados sobre o governo de Teerã. Publicado no X (antigo Twitter) no dia 24, o material traz instruções em persa sobre como contatar a agência de forma considerada segura.
O órgão recomenda que o interessado utilize uma rede privada virtual (VPN) sediada fora do Irã, Rússia ou China. Na mensagem, a CIA pede informações básicas – localização, nome, profissão e grau de acesso a dados sensíveis do Estado – além da área de interesse dentro da agência e habilidades que possam contribuir para atividades de inteligência.
A iniciativa ocorre durante nova rodada de negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. As conversas, iniciadas nesta quinta-feira (26), são a terceira tentativa de entendimento em 2026. O encontro foi suspenso após três horas, mas deve ser retomado.
Teerã, por meio do ministro das Relações Exteriores, Badr bin Hamad al Busaidi, entregou a Washington um documento com propostas que, segundo a agência estatal IRNA, “eliminariam todos os pretextos americanos” quanto ao caráter pacífico do programa nuclear. Os EUA exigem a suspensão do enriquecimento de urânio e limites ao alcance dos mísseis iranianos, enquanto o Irã condiciona qualquer redução de suas atividades atômicas ao fim das sanções econômicas.
O contexto diplomático vem acompanhado de escalada militar. Washington mantém, próximo ao território iraniano, dois porta-aviões, vários destróieres e dezenas de caças – o maior deslocamento desde a invasão do Iraque, em 2003. O governo iraniano reagiu afirmando que responderá com força a qualquer agressão e que um eventual conflito se ampliaria por toda a região.
A campanha de recrutamento também coincide com crescente pressão interna sobre o regime islâmico, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, e com o monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor, Rafael Grossi, discutiu em reunião prévia a possível inspeção das instalações nucleares iranianas caso um acordo seja fechado.
Com informações de Gazeta do Povo